Coimbra  20 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Bienal é uma referência na cidade mas precisa de dinheiro para crescer

2 de Janeiro 2018

A segunda edição da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – “anozero 2017” despediu-se, no passado sábado (30), sendo já considerada como uma iniciativa “que se impôs na cidade e no país, mas precisa de reforço orçamental para poder crescer e ter um maior alcance”, afirmou o curador Delfim Sardo à agência Lusa.

Contabilizando perto de 20 000 visitantes, o curador adiantou que as pessoas “reagiram muito bem” a uma proposta que “teve sempre a preocupação de ser uma experiência para o espectador”.

“Curar e Reparar” foi o tema do evento, produzido pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), que trouxe até diversos monumentos emblemáticos da cidade as obras de 35 artistas, nacionais e estrangeiros. Constituída por uma única exposição, distribuída pelos vários espaços, com destaque para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, a bienal contou, ainda, com uma programação convergente, que incluiu um conjunto de actividades paralelas, como exposições, conferências ou cinema.

A continuação da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra está, agora, dependente “de uma quantidade de factores que têm de ser muito bem cuidados para que, daqui a dois anos, se possa ter uma proposta mais arrojada e com um maior alcance”, referiu Delfim Sardo.

O curador alertou para o facto de ter de haver “mais folga financeira para o projecto crescer e, sobretudo, uma disponibilidade dos recursos atempada”, defendendo que, por isso, “tem de crescer do ponto de vista orçamental”.

Com um orçamento de cerca de 350 000 euros, a bienal “anozero 2017” concretizou-se porque foi “um exercício de contenção radical”, explicou Carlos Antunes, director do CAPC, referindo que até agora não foi possível montar “uma equipa regular, devidamente remunerada, que garanta as condições de produção de uma bienal, como ela merece e como deve ser”. Assente num “esforço e entrega muito voluntarista”, a bienal, frisou, “tornou-se numa causa urbana”, mas dificilmente a situação se pode repetir.

Da parte da organização, que integra também a Câmara Municipal, a Universidade de Coimbra e o Turismo do Centro, o balanço não poderia ser mais positivo, sendo este evento um “activo muito forte” e um “projecto estratégico” para a cidade e para o turismo da região.

“O Estado tem que necessariamente financiar a bienal, mas temos que conquistar, também, o apoio dos privados”, defendeu Carlos Antunes, referindo que já há manifestação de interesse de empresas privadas – algumas estrangeiras – em apoiar a bienal, até porque “este é um projecto que pode transformar Coimbra, por não ser usual, ajudando-a a ultrapassar-se ou a fortalecer-se”.

Apesar das dúvidas e constrangimentos orçamentais, Carlos Antunes mostra-se confiante de que a “anozero” possa crescer e ganhar escala para ombrear com os grandes eventos de arte contemporânea internacionais.

A próxima edição, em 2019, já começou a ser preparada, pretendendo a organização continuar a ocupar o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e os seus mais de 12 000 metros quadrados de área expositiva, querendo que este continue a ser “um lugar nuclear das edições”. Também o curador está já escolhido e, pelo menos por agora, apenas se sabe que não será português.

Para o futuro, a organização pretende também continuar a ocupar o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e os seus mais de 12 mil metros quadrados de área expositiva, querendo que este continue a “ser um lugar nuclear das edições” do evento.

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