Coimbra  19 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Bienal AnoZero renova Jardim da Manga e dá palco a novos artistas

16 de Outubro 2019

Agnaldo Farias, Carina Gomes, Carlos Antunes, Delfim Leão, Pedro Machado e Lígia Afonso

 

“A Terceira Margem”, conto do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, é o tema da nova edição da ‘AnoZero – Bienal de Coimbra’, que trará à cidade 39 artistas de várias partes do mundo, dando particular destaque aos emergentes “ou que não tenham tido tantas oportunidades”.

Do Convento de Santa Clara-a-Nova ao Edifício Chiado, da Sala da Cidade às Galerias Avenida, dos vários edifícios da Universidade de Coimbra ao Círculo de Artes Plásticas, até ao claustro do Jardim da Manga e ao espaço público de Coimbra, por todo a parte se irá respirar arte e cultura, de 02 de Novembro a 29 de Dezembro.

Além do foco nos novos artistas, outra das novidades desta terceira edição, além de um orçamento que cresceu para o meio milhão de euros, é a introdução de um novo local para mostrar a arte: o Jardim da Manga. “Todos os anos pretendemos recentrar a atenção num espaço da cidade que esteja mais esquecido e, nesta edição, propomos um local icónico e menos dignificado que é a fonte do Jardim da Manga e que está a ser recuperado”, afirmou Carlos Antunes, director do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC). Nas edições anteriores esses espaços esquecidos e, hoje, devolvidos à cidade, foram a Sala da Cidade e o Convento de Santa Clara-a-Nova.

Esta “A Terceira Margem” apoia-se em três pilares essenciais, desenvolvidos pelo curador geral Agnaldo Farias e pelos dois curadores-adjuntos, Lígia Afonso e Nuno de Brito Rocha: uma exposição, um programa de activação / educativo e um livro.

A exposição será composta pelos trabalhos dos 39 artistas convidados, nacionais (alguns até de Coimbra) e internacionais, muitos bem conhecidos mundialmente, que mostrarão em Coimbra e durante quase dois meses projectos que vão da música ao cinema, arquitectura, dança, visitas guiadas, conferências ou teatro. No total estão comissionadas 20 obras, que tiveram como base o tema desta edição.

Em relação ao programa de activação / educativo prende-se, essencialmente, com o trabalho que vai ser desenvolvido pelos alunos de mestrado em Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em colaboração com a ‘Esfera CAPC’. Neste caso, a ideia é “fortalecer o vínculo com a cidade, os seus moradores e a Universidade, oferecendo aos alunos formação em contexto e garantir-lhes pôr em prática, num ‘laboratório’ real os seus conhecimentos”, explica a organização da Bienal, da qual fazem parte o CACP, a Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal e o Turismo do Centro.

Quanto ao livro, o mesmo não será o “habitual” que se vê neste tipo de eventos, mas antes um “ensaio dos artistas participantes, especificamente criados para este formato”, contando também com textos de outros autores não participantes.

Envolver a cidade, os estudantes e os turistas

Na apresentação desta terceira edição, que decorreu hoje, no Convento de Santa Clara-a-Nova, Delfim Leão, vice-reitor da UC, destacou “o processo ascensional da bienal, que mostra a união entre a cidade, a região e as entidades”, para além de dar à UC a responsabilidade de “ser um dos palcos” e, por isso, envolver “os jovens em formação e fazê-lo num espaço que é excepcional”.

A vereadora da Cultura, Carina Gomes, sublinhou que a bienal é “um claro exemplo da dimensão europeia e mundial onde Coimbra se quer posicionar, pelo menos, até 2027”, notando que esta é a “edição mais internacional de todas”.

Dando relevo a um dos objectivos desta edição, a vereadora afirmou que a bienal tem o poder de “dar palco e visibilidade a novos artistas, sendo também esta a sua função”. Destacou, ainda, o interessa cada vez maior das faixas mais jovens neste evento, para além do crescente número de voluntários.

“Que este evento ímpar na cidade reflicta sobre o passado, o presente e o futuro através das artes”, notou.

Outro dos parceiros na organização é o Turismo do Centro, que segundo considera o seu presidente Pedro Machado, este é “um dos projectos-âncora da candidatura do programa ‘Lugares Património Mundial do Centro’, que junta Coimbra, Tomar, Batalha e Alcobaça”.

“A bienal é um projecto inovador e disruptivo, que provou já cumprir os objectivos de atrair públicos e proporcionar satisfação às comunidades, seja as residentes ou as que visitam”, afirmou o responsável, acreditando que este é um “produto diferenciador que pode ser um factor de atracção no estrangeiro” e que ajudará, pela sua duração, a “fixar pessoas mais do que uma ou duas noites, para que possam desfrutar de toda a programação”.

Para o curador Agnaldo Farias, esta bienal procura “o contacto com a comunidade” e, por isso, faz todo o sentido “dar vida a esta Convento” e ter um projecto educativo “que tenha ressonância na comunidade”, fomentando “a produção artística, daí o contingente de jovens artistas menos conhecidos”.

A curadora-adjunta, Lígia Afonso, destacou a vontade de levar a bienal “além fronteiras”, mas que também seja “aberta à cidade” e um “motor de novas produções”. Entre as várias obras, a curadora dá relevo às de João Maria Gusmão e Pedro Paiva; Anna Boghiguian; Steve McQueen e à de Tomás Cunha Ferreira.

O orçamento de 500 000 euros conta com um contributo de 75 por cento da Câmara Municipal de Coimbra; Universidade de Coimbra; Direcção-Geral das Artes e Centro 2020; os restantes 25 por cento pertencem a mecenas, entre os quais EcoStill e o Millenium BCP.

Toda a programação tem entrada livre e pode ser consultada em www.anozero-bienalcoimbra.pt

Os artistas participantes são, então: Alexandra Pirici; Ana María Montenegro; Ana Vaz; Anna Boghiguian; António Olaio; Belén Uriel; Bouchra Khalili; Bruno Zhu; Cadu; Daniel Melim; Daniel Senise; David Claerbout; Erika Verzutti; Eugénia Mussa; Joanna Piotrowska; João Gabriel; João Maria Gusmão; Pedro Paiva; José Bechara; José Spaniol; Julius von Bismarck; Laura Vinci; Luis Felipe Ortega; Luís Lázaro Matos; Lynn Hershman Leeson; Magdalena Jitrik; Maria Condado; Mariana Caló e Francisco Queimadela; Marilá Dardot; Mattia Denisse; Maya Watanabe; Meriç Algün; Przemek Pyszczek; Renato Ferrão; Rita Ferreira; Steve McQueen; Susan Hiller; Tomás Cunha Ferreira.

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