Coimbra  8 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

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BE critica “incapacidade” do reitor da UC e do líder da AAC para debater o racismo

23 de Junho 2020 Jornal Campeão: BE critica “incapacidade” do reitor da UC e do líder da AAC para debater o racismo

A Concelhia do Bloco de Esquerda de Coimbra criticou, hoje, a “incapacidade” do reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, e do presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), Daniel Azenha, para debater o tema do racismo.

A crítica surge no seguimento da primeira mesa redonda da iniciativa “Racismo e discriminação no Ensino Superior: a realidade da UC”, que se realizou ontem (22), na página de Facebook dos Estudantes Conselheiros da Universidade de Coimbra. Os intervenientes da sessão foram, precisamente, o reitor da Universidade de Coimbra, e o presidente da Direcção Geral da AAC, tendo como moderador João Gonçalo Lopes.

“Em primeiro lugar, é alarmante que numa instituição de Ensino Superior que conta afortunadamente com muitos/as estudantes racializados/as, portugueses/as e estrangeiros/as, internacionais ou oriundos da CPLP, uma mesa-redonda desta natureza se concretize sem as respectivas associações de Estudantes, sem o seu protagonismo, sem a amplificação das suas vozes e sem conhecimento de causa”, afirma o Bloco de Esquerda, sublinhando que, “ainda pior, questões fundamentais como combate ao racismo, à xenofobia e à misoginia foram tratadas sem qualquer profundidade e sem compromisso com a realidade dos milhares de estudantes e funcionários/as que compõem a Universidade de Coimbra”.

Quanto ao debate, o partido realça que “ao invés de se ter promovido uma conversa informada e necessária sobre como combater o racismo na UC, assente no conhecimento especializado que é produzido e ensinado na própria Universidade, e à revelia deste, reproduziram-se chavões desinformados como assumir-se que a discussão sobre o racismo tem a ver apenas com estudantes internacionais, escolhendo ignorar que existem portugueses/as racializados/as que estudam na Universidade de Coimbra; tratando-se o racismo como uma série de comportamentos individuais e isolados, ao invés de algo estrutural e sistémico nas instituições que a UC deve ser a primeira a combater; e em que se discutiu a propina internacional como única queixa relativa à discriminação na UC, ignorando-se questões como as discriminações e assédio infligidos contra estudantes e

a quase ausência de pessoas racializadas no corpo docente da Universidade”.

Assim, para a Concelhia do partido, esta sessão “veio confirmar a existência de uma postura acrítica e propagandística sobre o trabalho da Reitoria e da DG/AAC nesta matéria e assevera a urgência de se criar um debate público sério e inclusivo sobre o racismo nas instituições de ensino superior”.

Dirigindo-se ao reitor Amílcar Falcão, o BE refere que “a captação e o bom acolhimento de estudantes internacionais passa pela criação de estruturas e mecanismos de promoção da igualdade na UC, e não o ‘arrumar para debaixo do tapete’ de problemas por demais evidentes para as pessoas afectadas”.

“O Bloco de Esquerda manifesta a sua preocupação com a forma discriminatória como este debate foi organizado, assim como com a leviandade das observações proferidas por pessoas que ocupam posições de responsabilidade na Universidade de Coimbra, em especial o seu reitor, que manifestamente desconhece a instituição que gere, quem dela faz parte, quem a procura, e desqualifica, assim, a investigação e o ensino que nela se desenvolvem neste domínio”, prossegue.

E acrescenta, ainda, que “a Universidade de Coimbra possui pessoas e instrumentos qualificados para desenvolverem um plano alargado para a igualdade, nas suas mais diversas vertentes. Este é um desafio maior que tem de ser encarado na tão propalada modernização da Universidade como espaço de cidadania e o único caminho para que a UC seja procurada internacionalmente para formação e pesquisa”.

Dessa forma, o Bloco de Esquerda desafia as instituições de ensino superior a juntarem-se e a motivarem “o debate público sobre a permanência de racismo estrutural, institucional, sistémico, epistémico e quotidiano na nossa sociedade e que trabalhem activamente para o combater”.