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Baixo Mondego: Ajudas à produção agrícola vão cair 30 por cento

2 de Março 2017 Jornal Campeão: Baixo Mondego: Ajudas à produção agrícola vão cair 30 por cento

O regime de ajudas comunitárias à produção agrícola na região do Baixo Mondego vai cair 30 por cento até 2020 e os agricultores locais, maioritariamente de arroz e milho, admitem que têm anos muito difíceis pela frente.

“Vão ser anos muito difíceis para a zona do Baixo Mondego, porque os agricultores vão perder cerca de 30 por cento das ajudas comunitárias e não é um valor insignificante, dado que a agricultura está a trabalhar na linha de água”, disse, hoje, José Armindo, presidente da Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho.

Intervindo num seminário promovido pela cooperativa que dirige, José Armindo avisou que a corte no financiamento comunitário obriga a que os agricultores da região procurem as melhores técnicas agrícolas e as sementes que melhor se adaptem ao Baixo Mondego.

Especificou, ao nível técnico, que os agricultores têm de apostar num melhor nivelamento dos terrenos e também numa melhor utilização da água: “Não tem sido um bem escasso, mas é um bem que cada vez mais tem custos. De tal maneira que um agricultor quando rega mal não é só estar a desperdiçar água, mas todos os nutrientes que a água consigo arrasta”.

“Ainda podemos fazer mais e melhor, temos de fazer mais e melhor. Se queremos chegar a 2020 e continuar a fazer agricultura, de facto temos de fazer melhor”, alertou José Armindo.

Na ocasião, o responsável da Cooperativa Agrícola daquele município do Baixo Mondego anunciou que foi recentemente aprovado um projecto para melhorar a secagem e armazenagem de cereais, um investimento orçado em cerca de 900 000 euros.

“O equipamento que temos não tem estado a dar resposta adequada e hoje já há equipamentos que secam com menos custos. É importante reduzir custos” argumentou.

Ouvido pela agência Lusa, à margem da sessão, sobre o corte no financiamento comunitário, José Armindo disse que as ajudas “vão ficar uniformes” para toda a região e que os agricultores “que recebiam 600, 700 ou 800 euros por hectare, vão ter um corte que pode ir até ao máximo de 30 por cento”.

Na ocasião, o presidente da Cooperativa Agrícola de Montemor-o-Velho, entidade que reúne cerca de 4 600 associados, defendeu, ainda, que os produtos oriundos do Baixo Mondego – zona que comporta 13 000 hectares de produção agrícola, maioritariamente arroz e milho em proporções idênticas, mas também batata e hortofrutícolas – sejam rotulados com o país de origem e ano de produção, nomeadamente o arroz carolino.

“Isso é fundamental para que os produtores nacionais possam continuar a fazer arroz. Eu não tenho de estar a concorrer em pé de desigualdade com outros países que não respeitam o ambiente e nada fazem pelo ambiente. De uma vez por todas, temos de rotular o produto, temos de dar informação ao consumidor, para que ele decida sobre aquilo que quer comprar”, frisou José Armindo.

Adiantou que na zona do Mondego a área de arroz “perdeu um pouco para o milho no vale central” e a produção “situa-se mais junto à foz do Mondego e nos vales secundários [rios Arunca e Pranto, afluentes do Mondego]”.

Essa perda para o milho, explicou, deriva da necessidade de rotação de culturas: “É importantíssimo não ter, no mesmo terreno, 10, 12, 15 anos de arroz, e fazer a rotação de culturas é fundamental para o arejamento e para enriquecer o solo, que tem o arroz durante seis meses debaixo de água”.

A área de produção de arroz, indicou, situa-se actualmente entre os 5 000 a 6 000 hectares (sensivelmente idêntica à do milho) e deverá manter-se estável, embora possa variar em função da alteração dos preços.

“Se o milho subir um bocadinho, rouba alguma área ao arroz. Se o arroz subir, eventualmente há zonas que estão a dar milho que passam a dar arroz”, declarou.