Coimbra  30 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Associações empresariais do Pinhal Interior exigem respeito ao Governo

2 de Julho 2020 Jornal Campeão: Associações empresariais do Pinhal Interior exigem respeito ao Governo

As associações empresariais do Pinhal Interior “veem com muito apreensão a instabilidade existente no país resultante da covid-19, nomeadamente, os anúncios de medidas de apoio do Governo que não são concretizadas nas datas mencionadas”.

As associações subscritoras (AESL – Associação Empresarial Serra da Lousã, a AEDP – Associação Empresarial de Poiares, o CEMC- Clube de Empresários de Miranda do Corvo e o NEP – Núcleo Empresarial de Penela), em representação de todas as empresas suas associadas, notam que “resultado da pandemia que estamos atravessar, muitas foram as obrigações de adaptação impostas às empresas, agravando as dificuldades sofridas após o período de paragem”.

O Governo lançou o programa “Adaptar Micro” que visa “apoiar as empresas com menos de 10 trabalhadores e cujo volume de negócios anual não excede dois milhões de euros. Este programa tem uma comparticipação de 80 por cento a fundo perdido para as despesas relacionadas com a adaptação a esta nova realidade, nomeadamente em despesas para aquisição de viseiras, máscaras, álcool gel, desinfectantes, acrílicos para divisórias, lojas online, etc.”.

As candidaturas abriram a 15 de Maio, “contudo, dia 25 do mesmo mês o referido programa encerrou, estando dezenas de milhares de micro-empresas por todo o país a preparar as candidaturas a esta medida, estas foram surpreendidas com o anúncio da suspensão deste programa, estando a verba esgotada passados apenas 10 dias, demonstrando que, efectivamente, 50 milhões de euros era insuficiente”, revelam as associações.

“Aproximadamente 16 000 empresas, ou seja, perto de 1,3 por cento das micro-empresas a nível nacional conseguiram aceder a este programa, número que a título de exemplo, não ultrapassa a totalidade das empresas da região de Coimbra”, notam.

Alfredo Simões, presidente do NEP, “apesar de ser uma medida muito positiva para as micro-empresas, esta demonstrou ser insuficiente, pois decretar uma medida com valores tão irrisórios revela falta de conhecimento da realidade empresarial portuguesa”.

A 04 de Junho de 2020, o Governo “assumiu a insuficiência das verbas atribuídas e anunciou mais 50 milhões de euros para novo programa ‘Adaptar’, ao qual chamou de ‘Adaptar 2.0’.

“As micro-empresas estão a fazer um esforço tremendo para sobreviverem e cumprirem com as suas responsabilidades perante colaboradores, fornecedores e clientes, sempre na expectativa de se poderem candidatar ao apoio anunciado pelo Governo, que tarda em chegar, pois passados 25 dias do comunicado do Governo, ainda não é possível que as empresas se candidatem ao novo apoio ‘Adaptar 2.0’, notam as associações, adiantando que, por isso, “torna-se imperativo a abertura do programa ‘Adaptar 2.0’ com a máxima rapidez e com valores compatíveis com as necessidades das micro-empresas”.

Segundo Carlos Alves, presidente da AESL “pior que não fazer nada, é anunciar que vão ser lançadas novas medidas de apoio às empresas e nada acontece passado quase um mês”.

Paulo Carvalho, líder da AEDP acrescenta que “o Governo quando anuncia apoios às empresas, tem que imediatamente definir datas, para que as empresas não vivam nesta indefinição”.

Depois de mais de três meses de estagnação da actividade das empresas, “a importância destes apoios é fundamental pois contribui para o arranque da economia, servindo também para não agravar o desemprego, pois não nos iludamos, se não existirem apoios, muitas das micro-empresas que se baseiam numa estrutura familiar não vão conseguir manter as portas abertas”, referiu Hugo Serra, presidente do CEMC.

“No momento em que o país e o mundo atravessam um grande cenário de incerteza, os governos têm a obrigação de serem um elemento de estabilidade e segurança, devendo ser céleres na

definição de processos e muito claros na sua comunicação. Anunciar medidas e depois de 25 dias verificar-se que está tudo igual, não é um sinal de estabilidade e demonstra alguma falta de respeito pelo esforço que todas as empresas estão a fazer para se manterem em funcionamento”, criticam os empresários do Pinhal Interior.