Coimbra  28 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Associações académicas universitárias do país criam movimento nacional

27 de Junho 2020 Jornal Campeão: Associações académicas universitárias do país criam movimento nacional

“Académicas” é o nome do novo movimento associativo nacional, constituído pelas diversas associações académicas universitárias de Portugal, com o pretexto de “pensar o futuro do ensino superior”.

Deste movimento fazem parte as associações académicas das universidades de Aveiro, Algarve, Beira Interior, Coimbra, Évora, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, que ontem (26), lançaram esta iniciativa, que surgiu da “necessidade que estas associações encontraram de uma reflexão profunda e urgente sobre o futuro do ensino superior em Portugal”. Para além disso, os universitários entendem que “a indispensável adaptação e resposta aos desafios que a pandemia impôs, em muito contribuiu para a criação desta iniciativa, que promove a discussão em volta desta temática, tendo em vista uma oportunidade de mudança e evolução para aquilo que é o futuro do ensino superior português e as suas necessárias reformas”.

As associações académicas destacam, também, “a falta de interesse por parte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em auscultar aquilo que são as suas legítimas preocupações, uma vez que estas não foram no momento da crise pandémica consultadas pela tutela acerca da realidade do quotidiano das universidades, as dificuldades da comunidade estudantil ou, ainda, soluções possíveis a tomar”.

Ainda assim, “afirmam-se como solução e nunca parte do problema, mostrando-se disponíveis e cooperantes”, como por exemplo, através de um ciclo de conferências ao longo de várias semanas, sendo, desta forma, “promovida a reflexão de pontos como o ensino, a aprendizagem e avaliação, a participação estudantil, a acção social e financiamento e a vida nas universidades”.

“Durante os últimos três meses as associações académicas reafirmaram a sua tradicional postura responsável, disponível e cooperante, apesar da desconsideração a que foram remetidas, nunca tendo sido consultadas pela tutela sobre a realidade vivida no quotidiano das academias, as dificuldades sentidas pela comunidade estudantil ou sobre as soluções até agora encontradas. Neste período especialmente conturbado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior demonstrou como encara as estruturas representativas dos estudantes e o seu interesse em escutar

as preocupações legítimas das Associações Académicas de todo o país”, notam os estudantes, acrescentando que “tendo em consideração o contexto que atravessam as academias, entendem ser necessária uma reflexão profunda e urgente sobre o futuro do ensino superior em Portugal, com balanço nas respostas de emergência que as suas instituições de ensino superior propuseram mas, a cima de tudo, promover a discussão numa óptica de oportunidade de mudança e evolução para o futuro”.

E sublinham: “o movimento ‘Académicas’ fundou-se para reiterar, uma vez mais, que as associações académicas serão sempre a solução e nunca parte do problema. Acreditamos que a História e a postura de seriedade e responsabilidade que sempre pautou o trabalho realizado pelas estruturas representativas das academias portuguesas é mais do que suficiente para ser escutado pela tutela e empreender novas respostas aos desafios que surjam”.

Assim, o “Académicas” irá promover a discussão sobre o futuro do ensino superior português e as suas necessárias reformas com a criação um ciclo de conferências, intitulado “Universidade depois da Pandemia?”, que procurará ao longo de três semanas promover momentos de reflexão sobre o ensino, a aprendizagem e avaliação, a participação estudantil, a acção social e financiamento e a vida nas Universidades, terminando com um momento de reflexão global.