Coimbra  16 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Associação Zero exige recuperação de galeria ripícola destruída em Coimbra

3 de Abril 2021 Jornal Campeão: Associação Zero exige recuperação de galeria ripícola destruída em Coimbra

A associação ambientalista Zero exige a “recuperação urgente da galeria ripícola destruída” em intervenção da Câmara de Coimbra na margem direita do rio Mondego.

Para além deste pedido, alertou  ainda para a inexistência de plano de ordenamento da albufeira do Açude.

A associação criticou, em comunicado enviado à agencia Lusa, a intervenção recente do município na zona entre o Rebolim e a ponte da Portela, que levou o recém-criado movimento “Mondego Vivo” a lançar uma petição pública contra os trabalhos camarários na margem do rio, que tinha, na semana passada, mais de 1 400 assinaturas recolhidas.

“A Zero apela à recuperação urgente da galeria ripícola destruída, sendo de referir ainda que a área intervencionada está classificada como Reserva Ecológica Nacional”, sublinhou a associação.

A entidade recorda ainda a criação recente da praia fluvial de Rebolim, “que coloca algumas questões, nomeadamente o facto da praia fluvial estar abrangida pela zona de protecção intermédia das captações de águas da Boavista, bem como a praia fluvial, para montante, estar abrangida pela zona de protecção alargada das captações”.

A Zero salienta também que a albufeira criada pelo Açude de Coimbra não possui Plano de Ordenamento de Albufeira de Águas Públicas, frisando que há mais dez albufeiras na região Centro que também não têm este plano.

“No caso de Coimbra, este plano é determinante, atendendo a que a Agência Portuguesa do Ambiente [APA] não tem condições de gestão e acompanhamento das pretensões de utilização das margens”, frisa.

A associação realça que, de acordo com referências da APA, devem ser evitadas intervenções como “o corte total da vegetação e a contaminação agrícola”, “o corte total da galeria de vegetação ribeirinha” ou “o corte total do substrato herbáceo e arbustivo”, entre outras.

“A responsabilidade da execução das acções de limpeza e desobstrução nos aglomerados urbanos é dos municípios. No entanto, como estamos perante uma albufeira protegida, a APA deveria ter uma intervenção mais concordante com a sensibilidade e a protecção da massa de água, monitorizando as intervenções quando estão em curso”, notou.

O presidente do município de Coimbra, Manuel Machado, garantiu que a intervenção que está a ser efectuada na margem direita do Rio Mondego na zona da Portela é legal e visa eliminar espécies infestantes e remover resíduos.

“Aquilo está cheio de infestantes, canas e acácias, que têm de ser removidas. Não podemos estar a perder mais tempo com este tipo de questiúnculas que não têm qualquer fundamento”, ripostou o autarca, que lamentou a linguagem utilizada por alguma oposição que apelidou a intervenção em curso de crime.

Por causa da intervenção na margem do Mondego, deputados do Bloco de Esquerda questionaram o Governo, salientando os riscos ambientais com a possibilidade de criação de um campo de golfe naquele local.