Coimbra  20 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Assembleia Municipal aprova contas da CMC com votos contra de quase toda a oposição

1 de Julho 2021 Jornal Campeão: Assembleia Municipal aprova contas da CMC com votos contra de quase toda a oposição

A Assembleia Municipal de Coimbra aprovou, na quarta-feira, com os votos contra de quase toda a oposição, o Relatório de Contas da Câmara de 2020, que apresenta um saldo positivo de 1,5 milhão de euros.

O documento foi aprovado com 23 votos a favor, do PS, 18 contra, de PSD, CDS-PP, PPM, MPT e movimentos Somos Coimbra e Cidadãos por Coimbra, e seis abstenções da bancada do PCP.

“Apesar de ter sido um ano marcado pela pandemia da covid-19, os resultados foram francamente positivos”, frisou o presidente da Câmara, Manuel Machado, salientando que a maior parte do dinheiro municipal se destinou a funções sociais.

O autarca salientou que o Município já fez o ano passado “esta trajectória”, que assumiu desde 2018 e “agora, por maioria de razão”, da pandemia que provocou, por exemplo, “uma redução brutal” nas receitas dos transportes municipalizados na ordem dos três milhões de euros.

O deputado Ferreira da Silva, em nome da bancada socialista, salientou que o Município manteve a trajectória de diminuição das dívidas a terceiros, que foi reduzida em cerca de seis milhões de euros, e do passivo, “que no seu todo diminuiu cerca de 56 milhões de euros face a 2019”.

“Neste particular, a Câmara estabilizou e melhorou os indicadores económico-financeiros, cumprindo todos os limites legais de endividamento e não tendo pagamentos em atraso”, sublinhou o deputado, acrescentando que a autarquia reduziu o prazo médio de pagamentos para 30 dias, “longe dos três meses da tempestade económica do tempo da governação da direita”.

Numa análise ao documento de prestação de contas, Ferreira da Silva destacou ainda que os investimentos passaram de 7,8 milhões em 2019 para 18,6 milhões em 2020.

O PSD, maior partido da oposição, acusou o Executivo do socialista Manuel Machado de “marasmo e falta de visão estratégica” nos quase oito anos de governação, que “tem sido uma lição perniciosa e de atraso para Coimbra”.

“O modelo de crescimento e desenvolvimento socialista está muito longe de mobilizar todas as boas vontades que ainda resistem para que a cidade de Coimbra volte a ser uma referência nacional, com lugar de destaque nas áreas do saber e do saber fazer”, disparou Júlio Gaudêncio.

Segundo o deputado social-democrata, “é lamentável que em sete anos de mandato, em termos médios, o investimento tenha sofrido uma perda de 20 milhões de euros anuais, que não foram executados e estavam no Orçamento”.

“Coimbra continua a necessitar de mais investimento em infraestruturas e de apoio às freguesias. Os níveis verificados estão a contribuir para o subdesenvolvimento e estagnação da cidade e do concelho”, sustentou.

Pela bancada do movimento Somos Coimbra (SC), o deputado e presidente da Junta de Freguesia de Souselas e Botão, Rui Soares, anunciou o voto contra o relatório de contas depois de acusar o presidente da Câmara de “utilizar o poder para castigar quem o confronta”.

O movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), pela voz de Serafim Duarte, criticou o Executivo socialista de “encolher sempre” os orçamentos e o “desfasamento entre o que é orçamentado e o que é realizado, através de uma prática que é sempre a mesma: inflacionam-se receitas, anunciam-se projetos, prometem-se obras e criam-se expectativas, que acabam frustradas”.

A Assembleia Municipal votou, também por maioria, a prestação de contas dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), que apresentou uma redução de receitas em 2020 na ordem dos três milhões de euros.

Os SMTUC são totalmente suportados pelo Município de Coimbra, que investe anualmente cerca de nove milhões de euros.