Coimbra  17 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Artistas internacionais acusam Festival Forte de falhar pagamentos

26 de Agosto 2019

Montemor-o-Velho voltou a ser o epicentro da música electrónica com a realização de mais uma edição do Festival Forte, que este ano fica marcada pelas denúncias de vários artistas pela falta de pagamento.

Vários artistas que iam actuar no Forte denunciaram, hoje, falhas nos pagamentos, mas a organização assegurou que a situação vai ser regularizada, revela a agência Lusa.

Artistas como o italiano Freddy K ou os espanhóis psyk e Reeko, que iam actuar no festival, cancelaram as suas actuações e, nas redes sociais, acusaram a organização de falhas de pagamento.

Questionado pela agência Lusa, o promotor do festival, Ilídio Chaves, esclareceu que houve alguns problemas de pagamentos com os artistas, face à falta de liquidez da organização, que este ano optou por concessionar os espaços de vendas de bebidas e que apenas recebe o dinheiro relativo à venda de bilhetes online no final desta semana.

“Já informámos as agências e os artistas que vamos fazer os pagamentos à medida que recebemos o dinheiro da bilheteira. Não vamos falhar qualquer tipo de pagamento e vamos cumprir todas as nossas promessas, por mais dificuldades que tenhamos”, acrescentou.

O responsável explicou, ainda, que o Forte é um festival “que não nada em dinheiro” e que não tem sido possível fazer todos os adiantamentos de pagamentos pelas actuações, como é comum os artistas exigirem.

Sleeparchive, artista dinamarquês que ia actuar no sábado (24), afirmou à Lusa que o festival “mentiu” à sua agência sobre os voos, referindo que estavam reservados e pagos, quando não estavam.

“Disseram que, por causa de problemas financeiros, não podiam pagar antes [da actuação] ou naquela noite”, acrescentou o produtor, referindo que, face ao sucedido, optou por cancelar a actuação.

Já os suecos The Empire Line actuaram no domingo de manhã (25), no festival Forte, mas ainda não receberam qualquer pagamento pelo espectáculo, contou um membro do trio, Varg.

“Chegámos a Portugal sem termos recebido qualquer pagamento. Prometeram-nos que o dinheiro seria entregue quando chegássemos, mas isso não aconteceu”, explica o artista, acusando a organização de mentir.

Os The Empire Line decidiram ir ao palco arrumar o equipamento para cancelar o espectáculo, mas, face ao pedido de duas pessoas do público para tocarem, decidiram dar “um concerto para as pessoas”, relatou, sublinhando que a actuação foi feita sem qualquer garantia de pagamento.

No Facebook, o DJ italiano Freddy K afirmou que, apesar de gostar de tocar “em todo o tipo de condições, há um limite para tudo”, vincando que decidiu cancelar a sua actuação face aos problemas financeiros do festival.

Na mesma rede social, o espanhol psyk, que também cancelou a actuação, disse que a experiência “foi a coisa menos profissional” que já lhe aconteceu.

Já a dinamarquesa Courtesy recorreu ao Instagram para anunciar aos seus fãs que não iria tocar no Festival Forte, também por falhas nos pagamentos.

Segundo Ilídio Chaves, a prioridade da organização agora é “resolver os problemas e pôr tudo em dia”.

Apesar disso, reconhece que a continuidade do festival terá que ser debatida, tendo que ser analisada a sustentabilidade financeira do Forte.

“A equipa está cansada e desgastada e vai fechar agora esta edição com tudo direitinho e depois fazer o balanço”, afirmou à Lusa o responsável, sublinhando que o festival vai honrar “todos os seus compromissos”.

A sexta edição do festival Forte decorreu entre quinta-feira e domingo, no castelo de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra.

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