Coimbra  8 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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AR discute petição e projectos de resolução sobre a nova maternidade

14 de Novembro 2019

A petição sobre a implementação da nova maternidade de Coimbra junto ao Hospital Geral (Covões) e três projectos de resolução, apresentados por PCP, PEV, BE e pelo movimento “Cidadãos por Coimbra”, vão ser discutidos, amanhã (15), na Assembleia da República.

A nova maternidade de Coimbra deverá substituir a Bissaya Barreto e a Daniel de Matos, que realizam aproximadamente 2 500 partos e cerca de 18 000 consultas por ano.

O PCP recomenda ao Governo que “proceda à construção de uma nova maternidade em Coimbra que abarque o número de partos das actuais maternidades, junto ao Hospital Geral dos Covões”.

O projecto de resolução contempla também “uma intervenção urgente nas actuais maternidades Daniel de Matos e Bissaya Barreto, com vista à modernização e à beneficiação necessárias que travem a sua degradação e assegurem a sua qualidade e segurança”.

Os comunistas recomendam que sejam tomadas as “necessárias medidas para a contratação dos profissionais de saúde, cujas carências têm vindo a ser identificadas em cada uma das maternidades, designadamente médicos, enfermeiros, assistentes operacionais e outros profissionais”.

O projecto de resolução do Bloco de Esquerda pretende que o Governo “assuma com a máxima brevidade todas as diligências necessárias para a localização da nova unidade de neonatologia e de saúde materno-infantil de Coimbra nos terrenos adjacentes ao Hospital dos Covões”.

“A inserção da nova unidade de neonatologia e cuidados na gravidez e no parto num hospital com prestação de cuidados em todas as valências envolventes daquela não pode ignorar a disponibilidade de duas unidades com essas características na malha urbana de Coimbra”, lê-se no documento.

A criação do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) “e a dinâmica de centralização dos cuidados nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e de correspondente esvaziamento de valências no Hospital dos Covões – como as urgências nocturnas – não só penalizaram parte significativa da população na garantia do seu direito à saúde, como conduziram a um congestionamento insuportável dos serviços do polo de Celas do CHUC, degradando a qualidade da sua capacidade de resposta”.

Já o desafio que constitui a criação de uma unidade de referência de neonatologia e de cuidados na gravidez e no parto deve, para este grupo parlamentar, dar lugar a uma decisão que leve em devida conta quer a garantia do direito à saúde materno-infantil da população de Coimbra e de toda a região Centro, quer uma perspectiva de boa estratégia de ordenamento urbano da cidade de Coimbra.

O projecto de resolução do PEV recomenda ao Governo que realize estudos e inicie a breve prazo o processo de implementação da nova maternidade de Coimbra, no espaço do Hospital dos Covões.

O documento defende que a construção da nova maternidade deve ser efectuada sem recurso a parcerias público-privadas e que o Hospital dos Covões deve ser reforçado com os meios e valências necessárias para corresponder às necessidades da nova maternidade, “desde logo reabrindo as urgências em horário nocturno”.

Por último, recomenda que seja assegurada a “qualidade do serviço nas maternidades Bissaya Barreto e Daniel de Matos, dotando-as com os recursos humanos e equipamentos adequados e que garanta obras de manutenção das respectivas instalações até à construção da nova maternidade de Coimbra”.

A petição “Não queremos a maternidade de Coimbra no espaço dos HUC”, apresentada pelo movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), também será votada amanhã.

“Os acessos a esta área não respondem minimamente, nem têm capacidade para vir a responder ao esforço diário necessário no campo da mobilidade, se se atender à saturação acrescida decorrente da localização de outras unidades de saúde e ensino na zona, tornando-a um caos urbanístico e ambiental, atropelando a vida de todos os que ali vivem, trabalham ou que recorrem aos serviços de saúde”, argumenta o movimento.

O CpC considera que existe no espaço do Hospital dos Covões “competências e serviços, instalações, possibilidades de construção e enquadramento ambiental, que podem servir, com excelência, um equipamento como a Maternidade”.

“Este Hospital dos Covões tem sido esvaziado de serviços e competências, numa lógica de concentração nos HUC, assim se desmantelando um equipamento com muitas potencialidades, mas agora com necessidade de recuperar e alargar a sua oferta de serviços”.

O grupo de trabalho definido pelo Governo para estudar a localização da nova maternidade – constituído por dois elementos da Administração Regional de Saúde do Centro, dois representantes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e um da Câmara Municipal – defende a sua construção no perímetro dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

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