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Amigo de Fantasia pode ter posto uma polémica a levantar voo

17 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: Amigo de Fantasia pode ter posto uma polémica a levantar voo

Cavaco Silva considera que a sua intervenção foi decisiva para evitar “o erro político” de haver um aeroporto na Ota e revela, em livro, que criaria “sérias dificuldades” a José Sócrates caso ele não recuasse.

A revelação pode vir a fazer despontar polémica, embora um amigo de Cavaco, Fernando Fantasia, tenha dito, há oito anos, que a compra de terrenos em Rio Frio por parte da antiga proprietária do BPN nada teve a ver com a construção de novo aeroporto.

O futuro aeroporto é um assunto a que o anterior Presidente da República dedica um capítulo do livro “Quinta-feira e outros dias”, lançado ontem.

Fernando Fantasia, empresário, indicou, em 2009, no Parlamento, que a compra de tais terrenos remonta a 2003, altura em que se pensava que o aeroporto seria construído na Ota.

Segundo o empresário, José Oliveira e Costa, que foi secretário de Estado de Cavaco Silva e presidiu ao BPN, pediu-lhe opinião sobre o negócio.

Perante uma comissão parlamentar de inquérito acerca da nacionalização do BPN, Fernando Fantasia rejeitou alegadas insinuações relacionadas com a compra daqueles terrenos.

O nome do empresário também está associado à permuta que permitiu a Cavaco Silva adquirir uma vivenda na Aldeia da Coelha (Albufeira), porquanto a operação envolveu uma sociedade parcialmente detida por Fernando Fantasia.

O anterior PR adquiriu uma casa de férias mediante permuta com uma empresa subsidiária da sociedade Opi 92, ligada àquele empresário.

No livro acabado de lançar, Cavaco alude a encontros e a documentos partilhados com o antigo primeiro-ministro José Sócrates, em 2006 e 2007, sobre a localização da nova infra-estrutura aeroportuária, cuja eventual implantação na Ota o anterior PR rotula de “erro grave”.

Para Cavaco Silva, a sua intervenção foi “decisiva no sentido de evitar um erro político que teria custado muitos milhões de euros aos contribuintes e prejudicado o desenvolvimento do país”.

“Sabia, por experiência própria, dos meus tempos de Governo, que um Presidente que não estuda cuidadosamente as matérias e vive para o protagonismo mediático tem escassa influência sobre o processo político de decisão”, remata o anterior Chefe do Estado.

Na óptica de Cavaco, a inclinação de antigos governantes pela Ota “só se justificaria caso nenhum deles tivesse lido estudos” em que a construção de um aeroporto perto de Vila Franca de Xira emergiria como “uma localização menos aconselhável”.

O ex-PR rotula de inaceitável a alegada “agressividade com que o [então] ministro Mário Lino tratava, em público e em privado, os opositores da localização da Ota, apoucando pessoas com competência firmada na matéria”.

Mais à frente, no livro, segundo a Agência Lusa, o anterior Chefe do Estado volta a fazer referência a “evidente falta de bom senso”, imputada a Mário Lino, apesar de considerar que ficava à frente, em matéria de competência técnica, em relação ao então titular da pasta da Agricultura, Jaime Silva.