Coimbra  26 de Fevereiro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Alunas da UC transformam restos de queijo e “fruta feia” em ecobebidas

12 de Junho 2017 Jornal Campeão: Alunas da UC transformam restos de queijo e “fruta feia” em ecobebidas

Daniela Costa e Rita Martins, alunas do mestrado em Segurança Alimentar da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC), desenvolveram duas bebidas inovadoras, semelhantes a iogurtes líquidos e sumo de fruta, a partir dos resíduos de queijo e de “fruta feia”.

“O objetivo de transformar subprodutos das indústrias de queijo e hortofrutícola em alimentos saudáveis e nutritivos foi o ponto de partida para o desenvolvimento da gama ‘Toal’, composta por duas ecobebidas totalmente naturais, sem corantes nem conservantes”, adianta a Universidade de Coimbra, em comunicado.

Para a criação das ecobebidas, as estudantes utilizaram soro excedente do fabrico de queijo, um subproduto bastante poluente, e morangos que não têm calibre suficiente para venda ao consumidor final, a designada “fruta feia”. O produto final foram duas bebidas, idênticas a iogurtes líquidos ou sumo de fruta, que apenas diferem no conteúdo: uma de carácter proteico e outra energético.

“As duas bebidas são ricas em antioxidantes e probióticos, que auxiliam na manutenção do sistema imunitário, e os seus açúcares essenciais, bem como os seus pequenos péptidos (pequenas proteínas de fácil absorção) exercem funções ao nível do sistema cardiovascular, nomeadamente no controlo da pressão arterial. Na ‘Toal’ proteica, salienta-se um elevado valor nutritivo e actividade biológica, destacando-se a leucina, essencial no processo de crescimento muscular aliado à diminuição da acumulação de gordura corporal”, revelam as investigadoras.

Ambas as bebidas são “alternativas saudáveis para o consumidor e que não prejudicam o meio ambiente. Pelo contrário, no caso do soro proveniente do fabrico do queijo, estamos a contribuir para mitigar um problema ambiental, evitando que este entre na rede de águas. Já no caso dos morangos, ao aproveitar esta fruta que não é vendida ao consumidor final, estamos a combater o desperdício alimentar”, adiantam.

As alunas, que foram orientadas pelo docente da FFUC, Fernando Ramos, destacam que a grande inovação destes produtos é o facto de se poder “aproveitar todas as propriedades do soro: proteínas, água e açúcares” e de não exigir um processo de confecção complexo.

As ecobebidas ‘Toal’ já foram degustadas por consumidores e a receptividade “foi muito agradável”, afirmam Daniela Costa e Rita Martins.

As jovens já contactaram alguns investidores interessados em financiar o seu projecto, dado que o principal o nosso objectivo é criar “uma startup para comercializar o produto”. “Entendemos que os estudantes universitários devem saber tirar partido do que aprenderam ao longo do curso e ter a capacidade de criar o seu próprio emprego”, sublinham.

O desenvolvimento dos produtos ‘Toal’ contou, ainda, com a colaboração de duas alunas de mestrado da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), Vânia Gomes e Elsa Rosário, acompanhadas pelo professor Carlos Dias Pereira; e de uma aluna do Instituto Politécnico de Leiria Polo das Caldas da Rainha, Ana Martins Abrantes.

O projecto ‘Toal’ participou no Ecotrophelia Portugal 2017, concurso promovido pela PortugalFoods e pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), tendo ficado classificado em segundo lugar.

Todos os anos a indústria da produção de queijo gera grandes quantidades de soro. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2015 foram produzidos em Portugal 658 milhões de litros de soro de queijo de vaca.

Ecobebidas- Toal