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“Ai Coimbra que cais”, em arquivo digital do Centro Histórico

31 de Agosto 2018 Jornal Campeão: “Ai Coimbra que cais”, em arquivo digital do Centro Histórico

O Centro Histórico de Coimbra vai passar a ter um arquivo digital que se pretende assumir como um repositório vivo do conhecimento daquela zona da cidade, como um catalisador de memórias ou como uma oportunidade de reflexão e acção sobre o presente.

A plataforma digital, que alberga texto, fotografias, som e vídeo sobre o Centro Histórico de Coimbra, é apresentada hoje, numa iniciativa que surge de uma parceria entre o Jazz ao Centro Clube (JACC), o Departamento de Engenharia Informática e a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Pretende-se que a plataforma possa ser um repositório vivo de conhecimento em que qualquer pessoa possa adicionar conteúdos, mas também uma ferramenta para activar projectos artísticos a partir do material lá presente ou ainda que sirva para o desenvolvimento de iniciativas comunitárias, explicou a coordenadora do serviço educativo do JACC, Catarina Pires, que falava à agência Lusa antes da sessão de apresentação.

No fundo, “este arquivo quer ser um catalisador das memórias, mas também uma oportunidade de reflexão e acção sobre o presente”.

“Tem este lado digital, mas queremos que haja uma parte analógica e de encontro efectivo das pessoas e de discussão”, afirmou a responsável.

No arquivo, já estão adicionados alguns conteúdos, como é o caso do Arquivo Sonoro do Centro Histórico de Coimbra (com curadoria de Luís Antero e que conta com paisagens sonoras daquela zona), ou de “Ai Coimbra Que Cais”, uma iniciativa de fotografia em torno de edifícios degradados da cidade.

Teses de mestrado, outros projectos que trabalhem sobre a “Baixa” e “Alta” da cidade, ou a utilização de arquivos de instituições como o Centro de Documentação 25 de Abril ou da Câmara Municipal de Coimbra são outras possibilidades de conteúdos que poderão ser adicionados no Arquivo Digital do Centro Histórico de Coimbra (disponível temporariamente em arquivochc.dei.uc.pt), vincou.

Nesta plataforma, qualquer pessoa “pode criar livremente o seu perfil e submeter documentação ou fotografias que considerem relevantes”, explanou.

Segundo Catarina Pires, o conteúdo presente na plataforma poderá ser usado para desafiar “artistas a criarem projectos que depois também serão disponibilizados na plataforma” ou para outro tipo de iniciativas que também fomentem a ligação entre a academia e a cidade.

O autor da plataforma é Daniel Lopes, estudante de mestrado em Design e Multimédia, que contou com a orientação de Pedro Martins e João Bicker para o seu projecto final de curso, sendo que o projecto tem, também, o envolvimento dos professores de sociologia Sílvia Ferreira e Paulo Peixoto.

De acordo com Daniel Lopes, a plataforma permite incluir vários tipos de ficheiro, que ficam associados a uma localização do Centro Histórico de Coimbra, sendo depois as contribuições validadas pelo JACC.

“A publicação fica associada a um local e a uma data. Portanto, dá para filtrar os tipos de arquivo, seja por data, por local ou por autor”, sendo que ainda é possível agregar conteúdos por colecção, como é o caso do arquivo sonoro, aclarou.

Para além disso, a plataforma permite a qualquer utilizador ir buscar os conteúdos do arquivo para utilizá-los “numa instalação artística, num ‘site’ ou numa aplicação externa”, frisou Daniel Lopes.

A apresentação do arquivo digital insere-se na programação do projecto “Dar a Ouvir – Paisagens Sonoras da Cidade”, desenvolvido pelo Serviço Educativo do JACC e pela Câmara de Coimbra.