Coimbra  26 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Águas da Figueira e UC com projecto para retirar fósforo de efluentes

11 de Janeiro 2019

A empresa Águas da Figueira, em parceria com a Universidade de Coimbra, anunciou o lançamento de um projecto pioneiro de remoção de fósforo em efluentes e quer ter um protótipo em funcionamento até final do ano.

“O fósforo é um mineral importante na agricultura, mas é o único nutriente que não existe na atmosfera, existe na rocha fosfática e a Europa não tem reservas dele. E já sabemos, também, que as futuras directivas comunitárias nos vão obrigar a retirar o fósforo dos efluentes, porque ele na água cria eutrofização [crescimento excessivo de plantas aquáticas que afecta a utilização]”, explicou à agência Lusa o director geral da concessionária de águas e saneamento da Figueira da Foz, João Damasceno.

O responsável salientou, ainda, que a busca de tecnologias inovadoras de remoção do fósforo – um mineral que é fundamental ao desenvolvimento da agricultura, mas que também causa eutrofização de recursos hídricos – das lamas e efluentes das estações de tratamentos de águas e resíduos (ETAR) é “uma dupla oportunidade”, por um lado por poder prevenir problemas ambientais e, por outro, por representar um valor económico “crescente” na produção de adubos ricos em fósforo.

João Damasceno lembrou que os bens alimentares, “principalmente as sementes, aumentaram no mundo na última década uma brutalidade” e esse aumento deriva da utilização na agricultura de fertilizantes contendo fósforo, “que aumentou 700 por cento” nos últimos 10 anos.

“Deste modo, fomos procurar tecnologia para usar nas nossas ETAR [a Águas da Figueira gere 13, a maior das quais é a da zona urbana da Figueira da Foz] e que pode ser aplicada a qualquer ETAR. E descobrimos que a única tecnologia que já está patenteada decorre de uma reacção química de sulfato de magnésio e fósforo, é caríssima e não há mais de meia dúzia de empresas no mundo que a usam”, argumentou.

Assim, e depois de ter apoiado um projecto laboratorial com alunos do colégio São Teotónio (Coimbra), que visou o desenvolvimento de um processo de separação do fósforo em efluentes através da utilização de bactérias à temperatura ambiente – premiado com um segundo lugar no concurso nacional “A Ciência na Escola”, promovido pela fundação Ilídio Pinho – a Águas da Figueira avança agora para uma segunda fase, desafiando a Universidade de Coimbra a desenvolver um protótipo funcional que será instalado, até final de 2019, na ETAR da zona urbana da Figueira da Foz.

“Nos próximos seis meses serão estudados diversos factores ambientais, como a temperatura, espécies de bactérias mais eficazes ou os níveis de oxigénio necessários, para ver como é que conseguimos, de uma forma eficiente, fazer aquilo que a concorrência faz com coisas muito caras e complexas”, disse João Damasceno.

Após a realização desses estudos “necessários ao redimensionamento do protótipo”, o equipamento será testado em utilização real “para ver se as bactérias fazem aquilo que fizeram em laboratório”, sublinhou o director geral da concessionária.

“Este é um assunto muito importante e que vai ser a ordem do dia em breve. E as organizações só podem ser competitivas se forem inovadoras”, sublinhou João Damasceno.

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