Coimbra  9 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Agentes funerários do Centro contra abertura de caixões em cemitérios

10 de Fevereiro 2021 Jornal Campeão: Agentes funerários do Centro contra abertura de caixões em cemitérios

Foto: Joe Raedle / Getty Images North America / AFP

 

A Associação de Agentes Funerários do Centro anunciou que discorda da abertura de caixões com vítimas da covid-19 nas cerimónias fúnebres, como possibilita uma norma da Direção Geral da Saúde (DSG).

A instituição, que representa cerca de 350 empresas, referiu à agência Lusa ter comunicado à DGS a “discordância relativamente à norma, não concordando, em suma, com a abertura de caixões nas cerimónias fúnebres”, salientando que esta entidade “não esclarece em que condições pode a abertura dos caixões ser feita, nem quem define essas condições”.

A DGS actualizou na semana passada a norma para a realização de funerais de pessoas vítimas da covid-19, mantendo o procedimento do reconhecimento visual do corpo por um familiar próximo, sempre que o houver.

Durante o funeral, o caixão deve, preferencialmente, manter-se fechado, mas caso seja o desejo da família, e houver condições, pode permitir-se a visualização do corpo, desde que rápida e a pelo menos um metro de distância.

A DGS acrescenta que a visualização do corpo pode também ser conseguida através de caixões com visor, não sendo permitido, em qualquer uma das situações, tocar no corpo ou no caixão.

De acordo com a Associação de Agentes Funerários do Centro, “não se verificam as condições de saúde nem de segurança para a visualização dos cadáveres, uma vez que tal implica a sua prévia preparação, que não está a acontecer actualmente”, dado que “o manuseamento dos corpos deve ser o mínimo possível”.

“Continuam a verificar-se situações irregulares, nomeadamente por parte de muitos estabelecimentos hospitalares que estão a impedir que os familiares dos cadáveres façam o reconhecimento dos corpos, impondo antes às agências funerárias que façam tal reconhecimento”, referiu a associação.

A instituição referiu que esta imposição, cujo objectivo é evitar que familiares entrem em ambiente hospital”, “contraria, claramente, a lei”.

Jaime Alexandre, presidente da associação, disse à agência Lusa que “o corpo deve ser reconhecido por um familiar, em ambiente hospitalar, quando a vítima de covid-19 morre no hospital” e considerou que “a DGS pretende descartar essa responsabilidade para os agentes funerários”.

Por outro lado, o responsável constatou que “cada hospital tem o seu regulamento, o que dificulta o trabalho dos agentes funerários, pois uns exigem a presença de familiar para reconhecimento de corpo, enquanto outros delegam na agência”.

“Além de cada hospital ter o seu regulamento, também os regulamentos dos cemitérios diferem de freguesia de freguesia, de concelho para concelho, sendo que alguns permitem a presença de apenas oito pessoas e outros de 15, independentemente de serem funerais de pessoas vítimas de covid-19 ou não”, acrescentou.

Esta associação já pediu “a reavaliação do plano de vacinação” para que os profissionais do sector sejam incluídos nos grupos prioritários.