Coimbra  5 de Março de 2024 | Director: Lino Vinhal

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Agentes do sector cinematográfico exigem admissão da Casa do Cinema ao programa do ICA

11 de Janeiro 2024 Jornal Campeão: Agentes do sector cinematográfico exigem admissão da Casa do Cinema ao programa do ICA

Num esforço conjunto, mais de 40 distribuidoras, produtoras e entidades ligadas ao setor cinematográfico associaram-se à Casa do Cinema de Coimbra para pressionar pela admissão da sala independente ao subprograma de apoio à exibição do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA).

O actual regulamento deste programa de apoio limita o financiamento exclusivamente a empresas, excluindo associações, como a Caminhos do Cinema Português (CCP), entidade dinamizadora da Casa do Cinema de Coimbra. A sala independente, inaugurada em 2021 em parceria com a Fila K Cineclube e o Centro de Estudos Cinematográficos, conta com o apoio de diversas entidades do sector.

Num comunicado dirigido ao ICA, a CCP solicitou uma alteração nas regras, especialmente na abertura de candidaturas a associações, para permitir que a Casa do Cinema de Coimbra possa aceder ao programa de apoio à exibição.

A carta, assinada por várias organizações, incluindo as distribuidoras Cinemundo, NOS Lusomundo e Alambique, as produtoras Bando à Parte, O Som e a Fúria, Ukbar, Uma Pedra no Sapato, Terratreme, bem como a Associação Portuguesa de Realizadores, Associação Portuguesa dos Produtores de Animação, a Academia Portuguesa de Cinema e a Agência da Curta-Metragem Portuguesa.

Também apoiam o pedido a Universidade de Coimbra, a Midas (responsável pela programação do Cinema Ideal em Lisboa), e os realizadores João Salaviza e Renée Nader Massera.

Na carta, a CCP destaca que a Casa do Cinema de Coimbra é a única sala fora das áreas metropolitanas a promover cinema independente com exibições regulares durante toda a semana, proporcionando três a quatro sessões diárias, sete dias por semana. A entidade questiona a exclusão da sala, considerando-a injustificada face ao seu compromisso com a promoção do cinema.

O presidente da CCP, Tiago Santos, explicou que, devido à forma jurídica da Casa do Cinema de Coimbra, esta apenas pode aceder ao apoio à exibição em circuitos alternativos, com um montante máximo de 10.000 euros, ao contrário do programa principal, que permitiria um apoio máximo de 57.500 euros em 2023.

Tiago Santos sublinhou a disparidade entre as exigências para associações e empresas, destacando que a Casa do Cinema de Coimbra realiza uma média de 1.800 sessões por ano, enquanto o programa requer um mínimo de 30 sessões anuais.

O presidente da CCP recordou que o Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, foi o único espaço fora de Lisboa ou do Porto a receber financiamento em 2023 através do subprograma de apoio à exibição. Este teatro assegurou cerca de 70 sessões anuais em parceria com a Leopardo Filmes. Em contrapartida, a Casa do Cinema de Coimbra oferece uma programação contínua de quase 365 dias por ano.

Tiago Santos expressou o desejo de que a Casa do Cinema de Coimbra seja admitida ao subprograma, o que permitiria uma estabilidade financeira acrescida e investimentos na própria sala.