Coimbra  15 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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AFC: Juristas exercem direito à indignação

14 de Dezembro 2018

Arredados da eleição do próximo Conselho de Justiça da Associação de Futebol de Coimbra (AFC), oito advogados expressaram, ontem (13), a sua indignação sobre a forma como foram descartados do sufrágio.

O acto eleitoral (antecipado) para os órgãos sociais daquele organismo [quadriénio 2019 -22], disputado apenas por uma lista, realizar-se-á terça-feira (18), como noticiou, há uma semana, em primeira-mão, o “Campeão”, através da edição electrónica.

Apunhalados é como se sentem António Vaz de Castro (presidente cessante do CJ – Conselho de Justiça da AFC), Luís Curado, Aníbal Moreira, Victor Caridade, Rui Cunha, Silva Cordeiro, Joana Gomes de Freitas e Carla Guimarães.

Vaz de Castro, que alega ter sido convidado a recandidatar-se – patrocinado por Horácio Antunes, em vias de reassumir a liderança da Associação de Futebol de Coimbra – congregou sete colegas, mas nenhum deles faz parte da lista entregue para composição do CJ, encabeçada por Fernando Simão.

Invocando desconsideração, na medida em que “só por mero acaso” souberam não formarem o elenco do sobredito Conselho, os oito juristas reclamam “a devolução do custo do certificado de registo criminal para fins desportivos” (cinco euros) e, “ainda, a devolução dos documentos originais” apresentados, sob pena de participação à Comissão Nacional de Protecção de Dados.

“Os convites e desconvites fazem parte da vida (…), a falta de carácter também; no caso, queríamos ser merecedores, pelo menos, de um expresso desconvite, quanto mais não fosse por mais de duas décadas (alguns de nós) de dedicação ‘pro bono’ à causa do associativismo desportivo”, aduzem eles em abono do direito à indignação.

Dizendo estar “conscientes de que, verdadeiramente”, nunca fizeram parte da «tribo», Castro, Curado, Moreira, Caridade, Cunha, Cordeiro, Joana e Carla assinalam que “nunca isso” os preocupou. “Nunca os membros do CJ [da AFC], antes membros do Conselho de Disciplina, gozaram de alguma de determinadas bênçãos, reservadas apenas aos ungidos do sistema”, acrescentam.

Para Luís Curado, Horácio Antunes “quer manter o poder a todo o custo e serviu-se de Américo Baptista dos Santos”.

O sufrágio para o quadriénio 2019 -22 ocorre na sequência da suspensão do mandato de presidente da AFC por parte de Américo dos Santos, sendo que, segundo Antunes, o jurista investido no cargo unipessoal accionou a Mesa da Assembleia Geral para antecipação do acto.

Américo dos Santos prometera, há ano e meio, pacificação, na sequência de um acto eleitoral pautado por vicissitudes ao longo de nove meses.

Inicialmente marcada para Outubro de 2016, a mais recente eleição dos órgãos sociais do organismo ocorreu a 18 de Julho de 2017, tendo os adiamentos ficado a dever-se a um pedido de providência cautelar accionado por José Maria Ferreira Nunes, cuja lista não foi admitida.

Uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto ditou uma troca de posições protagonizada por Horácio Antunes, impedido, na altura, de acumular mais mandatos consecutivos, e Américo Baptista dos Santos na única lista então sufragada.

Líder da Associação de Futebol de Coimbra durante quase 20 anos, Antunes passou, em 2017, a cabeça de lista para a presidência da Mesa da AG, tendo cabido a Baptista dos Santos perfilar-se para timoneiro do organismo.

Para Vaz de Castro, uma recente sessão da AG da AFC realizada para alteração estatutária não podia ter sido convocada à revelia do CJ e do Conselho Fiscal, porquanto, segundo ele, deviam ter sido pedidos aos dois órgãos pareceres sobre o assunto.

O texto correspondente ao exercício do direito à indignação foi enviado a Horácio Antunes, à Federação Portuguesa de Futebol, aos clubes do distrito de Coimbra praticantes do desporto-rei e ao Instituto Português do Desporto e Juventude.

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