Coimbra  20 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Adesão à greve da ERSUC em Coimbra rondou os 90 por cento

28 de Janeiro 2020 Jornal Campeão: Adesão à greve da ERSUC em Coimbra rondou os 90 por cento

Os trabalhadores da empresa ERSUC – Resíduos Sólidos do Centro cumpriram, hoje, o segundo de dois dias de greve por aumentos de salários e a adesão no polo de Coimbra rondou os 90 por cento, disse fonte sindical.

Joaquim Sousa, da Direcção nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL), revelou que o piquete de greve em Coimbra “não deixou que a equipa indicada para serviços mínimos saísse para a rua”, depois de o sindicato ter criticado a decisão do Tribunal Arbitral em impor “serviços mínimos que são serviços máximos”.

O sindicalista afirmou que nas instalações da ERSUC, em Coimbra, os próprios administradores “tiveram de deixar os carros lá fora e entrar na empresa a pé”, já que o acesso às instalações “estava bloqueado por duas viaturas de recolha de resíduos e uma de limpeza de fossas”.

Sobre a decisão dos serviços mínimos tomada pelo Tribunal Arbitral, Joaquim Sousa considerou que “nunca, até hoje, no sector, tinha sido decidido designar 59 trabalhadores para serviços mínimos”.

“O Tribunal considera que se a recolha selectiva [de vidro, plástico, metal, cartão e papel nos ecopontos] não for feita, coloca em causa a saúde pública. Mas se fosse assim então a saúde pública é colocada em causa todos os dias, porque é impossível todos os dias fazer a recolha dos ecopontos, quando estão a menos de 50 por cento da capacidade a viatura passa e nem lhes toca”, argumentou.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o STAL tinha já criticado a decisão do Tribunal Arbitral em impor serviços mínimos a 59 trabalhadores do quadro de pessoal, rejeitando-a “liminarmente” e alegando que a mesma “põe em causa o direito à greve”.

Apesar da contestação aos serviços mínimos, o dirigente nacional do STAL classificou a paralisação – convocada para exigir a valorização das carreiras, a melhoria das condições de trabalho e o aumento dos salários – como “uma grande jornada de luta” dos trabalhadores da ERSUC de Coimbra e Aveiro, salientando ser “a primeira vez que de forma organizada estão a fazer greve”.

Os trabalhadores da empresa que recolhe o lixo em 36 municípios dos distritos de Coimbra, Aveiro e Leiria – e emprega, de acordo com o STAL, cerca de 400 pessoas – já agendaram novos plenários para a próxima semana e, face à “falta de resposta” por parte da administração da ERSUC – que pertence ao grupo EGF/MOTA ENGIL – irão “continuar e intensificar as formas de luta”, avisou Joaquim Sousa.

Em comunicado distribuído aos trabalhadores, o STAL lembra que a ERSUC intervém na recolha de lixo de uma área de 7 000 quilómetros quadrados, o que corresponde a 7,9 por cento do território nacional, servindo uma população de aproximadamente um milhão de habitantes e tratando mais de 300 000 toneladas de resíduos por ano.

Na nota, a estrutura sindical condenou a atitude da administração da ‘holding’, que se recusa a iniciar qualquer processo de negociação colectiva global ou local.

Entre as reivindicações das estruturas representativas dos trabalhadores destacam-se a melhoria dos salários e de outras prestações pecuniárias, nomeadamente dos subsídios de refeição e de transporte, o respeito pela contratação colectiva, a valorização dos trabalhadores e das suas carreiras profissionais, com um plano de carreiras que assegure a progressão e a promoção, e um seguro de saúde para todos, que seja alargado ao agregado familiar.