Coimbra  26 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Académica/OAF instada a restituir dois milhões a José Eduardo

17 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: Académica/OAF instada a restituir dois milhões a José Eduardo

A Académica/OAF foi instada no sentido de restituir dois milhões de euros ao seu anterior presidente, alegando José Eduardo Simões que, a partir de hoje, a instituição deve ser considerada “possuidora de má-fé” daquele montante.

Na petição inicial, a que o “Campeão” teve acesso, entregue no Tribunal da comarca de Coimbra, é requerida a notificação da ré para juntar aos autos cópias das actas de reuniões da Direcção.

Vice-presidente no biénio (2003 – 04), José Eduardo foi timoneiro da AAC/OAF entre 2005 e meados de 2016.

A fatia mais elevada de alegados sucessivos empréstimos ascendeu a perto de 600 000 euros, por ocasião do fecho das contas da época futebolística de 2003 – 04.

Segundo a petição inicial, houve “múltiplos empréstimos” concedidos por Simões entre 2002 e 2006.

A principal adversidade que o demandante poderá ter de enfrentar no tocante a ganhar a causa prende-se com o facto de a AAC/OAF possuir a faculdade de invocar que o fraccionamento da quantia visou subtrair o empréstimo à emissão de aval por parte da Assembleia Geral.

Simões pediu a um outrora presidente do Conselho Fiscal (CF), Alberto Santos, para trocar impressões com Maria José Vicente, que era membro da Mesa da Assembleia Geral, sobre a redacção de um documento complementar das actas da Direcção alusivas ao empréstimo, soube o “Campeão”.

Segundo Alberto Santos, jurista e gestor, seria conveniente haver um documento a indicar que José Eduardo não interveio na deliberação.

Para o jurista, tratava-se de a Direcção acatar a disponibilidade do presidente e anuir acerca da contracção de um empréstimo por ele concedido. Na perspectiva de Alberto Santos, os vice-presidentes não podiam limitar-se a tomar conhecimento.

Nesse contexto, o então presidente do CF sugeriu a Maria José Vicente a redacção de um documento para constar que Eduardo Simões não interveio na discussão, em sede de Direcção, nem na deliberação respeitante a tal empréstimo.

Na base do pedido feito por Simões ao então presidente do CF esteve a dificuldade de Maria José Vicente em perceber que é que a Direcção queria que figurasse no referido documento.

Segundo ela, parte das actas limitam-se a assinalar que José Eduardo comunicou o empréstimo aos demais directores, aspecto que o outrora líder do CF considerou insuficiente.

Na conversa com Alberto Santos, Maria José aludiu a eventual dificuldade em sustentar que Simões não interveio na tomada de decisão. Algumas actas, disse ela, narram que o presidente emprestou dinheiro ao clube.

O demandante indicou como testemunhas, por exemplo, Álvaro Amaro (antigo presidente da Mesa da AG), Salvador Arnaut e Luís Godinho Simões (anteriores vice-presidentes da Direcção) e um ex-timoneiro do Conselho Fiscal, António Preto (marido de Maria José Vicente).