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Abastecimento de água: Manuel Machado sofre remoque de governante

3 de Janeiro 2017 Jornal Campeão: Abastecimento de água: Manuel Machado sofre remoque de governante

Um governante proferiu, hoje, um remoque – que assenta, entre outros autarcas, no presidente da Câmara de Coimbra – ao intervir sobre política de fornecimento de água ao domicílio.

Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, usava da palavra durante a assinatura de um protocolo subscrito pelos municípios de Mira, Montemor-o-Velho e Soure, destinado a realização conjunta de estudos com vista à concretização de uma política de gestão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais. A medida tem como objectivo a futura constituição da M2S, empresa de natureza intermunicipal.

Sem referir nomes, o governante estranhou, em Montemor-o-Velho, que “protagonistas de maior dimensão” dêem sinal de estar alheados do figurino do associativismo entre concelhos.

O remoque foi acompanhado de palavras respeitosas pela autonomia do Poder Local, dizendo o governante compreender que não opte pelo associativismo quem se sentir bem sozinho.

“Satisfeito por encontrar parceiros” identificados com o pensamento dele, possuidor de vasta carreira ligada ao sector da água, Carlos Martins considerou incompreensível que “quem precisa de ganhar escala” fique indiferente à oportunidade.

Para dizer que não é destinatário do «barrete», Manuel Machado poderá afirmar que o seu concelho está dotado da empresa municipal Águas de Coimbra (AC) e que ele possui mais do dobro dos habitantes de Mira, Montemor-o-Velho e Soure (congregando os três quase 60 000 pessoas).

Ainda assim, conhecedores do assunto estranham que, com um instrumento como a AC, Coimbra permaneça indiferente à comunidade de vizinhos.

O XXI Governo tem incentivado os municípios directamente intervenientes na gestão do fornecimento de água ao domicílio (distribuição em baixa) a agregarem-se para “obtenção de escala”.

Segundo o portal “Ambiente online”, as câmaras municipais representam cerca de metade de 347 entidades gestoras de sistemas de abastecimento em baixa (sem incluir nesta cifra sociedades municipais ou supramunicipais e serviços municipalizados).

Dos 308 municípios portugueses 100 têm menos de 20 000 habitantes.

Sem embargo de admitir adesões de outros concelhos à futura M2S, o secretário de Estado do Ambiente aludiu à hipótese de vir a haver mais três entidades congéneres no âmbito da Comunidade Intermunipal da Região de Coimbra (19 concelhos).

Na apologia da agregação de quem precisa de “ganhar escala”, o governante fez notar que uma nova politica de gestão de sistemas é indispensável para obtenção de fundos provenientes da União Europeia.

“Trata-se de traçar o caminho necessário”, afirmou, acerca da esperada constituição da M2S, Carlos Martins, acrescentando ser portador desta sigla na sua mente como alternativa ao símbolo químico da água (H2O).

No âmbito da M2S, poderá vir a ser considerada a realização de estudos para gestão da recolha e transporte de resíduos sólidos urbanos (lixo).

Emílio Torrão, presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, considerou que o seu Município e os congéneres de Mira e Soure fizeram, hoje, História. Para Raul Almeida (Mira), trata-se de “um daqueles casos em que a união faz a força”. “Não se trata de mais uma empresa para conferir mordomias”, concluiu Mário Jorge (Soure).