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AAC/OAF: Presidente compara a acção de Simões a efeito do eucalipto

29 de Dezembro 2016 Jornal Campeão: AAC/OAF: Presidente compara a acção de Simões a efeito do eucalipto

O presidente da Académica/OAF comparou, hoje, o desempenho do seu antecessor ao efeito do eucalipto.

Oriundo da Austrália e da Tasmânia, o eucalipto é conhecido por fazer definhar tudo à sua volta.

A analogia com o desempenho de José Eduardo Simões (engenheiro civil) foi feita, por Paulo Almeida (advogado), durante um almoço do novo timoneiro do Organismo Autónomo de Futebol da AAC com representantes dos jornais “Campeão”, Diário de Coimbra e As Beiras.

O jurista sucedeu em meados de 2016 ao engenheiro, que liderou a Briosa durante quase uma dúzia de anos.

“Hoje em dia, a AAC/OAF (proprietária da Académica – Futebol SDUQ) determina-se pela vontade dos sócios; em perto de 12 anos, imperou a vontade do anterior presidente”, declarou Paulo Almeida, em jeito de balanço sobre o primeiro meio ano do seu mandato.

Para o timoneiro do Organismo Autónomo de Futebol da AAC, o relativo fracasso da Missão Briosa, concebida para angariação de fundos, deve-se a “alheamento causado pela indiferença” alegadamente fomentada por José Eduardo.

A primazia dada aos sócios é invocada pelo advogado para caucionar o desempenho do respectivo elenco directivo no dossiê da venda de património da instituição localizado junto aos Arcos do Jardim (largo de João Paulo II).

Um edifício da PROCAC, sociedade anónima de que a AAC/OAF é a principal accionista, constitui património com que a Direcção de Paulo Almeida espera vir a fazer face à difícil situação financeira da Briosa, alienando-o por 700 000 euros em vez de um milhão esperado.

“Qualquer sócio teve oportunidade de, durante um mês, apresentar propostas” de compra, vincou o jurista.

Interpelado pelo “Campeão”, o advogado indicou que a Académica/OAF já embolsou 300 000 euros do montante negociado com Filipe Rodrigues, tendo acrescentado que o valor em falta (400 000) é pago ainda esta semana.

Enquanto não fossem cancelados, os ónus sobre o prédio limitavam o Organismo Autónomo de Futebol da AAC a embolsar apenas 170 000 euros. Tais ónus consistiam numa hipoteca a favor do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, noutra a favor da Fazenda Pública e em três penhoras de que era exequente a Administração Fiscal.

“O objectivo é a recompra, dentro de dois anos e meio”, afirmou Paulo Almeida.

A Académica/OAF poderá recomprar o prédio, até 01 de Junho de 2019, nas seguintes condições: aquisição pelo montante de 700 000 euros, acrescido das quantias correspondentes a determinados encargos e de uma taxa de juro anual de 7,50 por cento (com o mínimo em juros de 78 000 euros). Ao montante referido serão deduzidos os valores líquidos recebidos por Filipe Miguel Ribeiro Rodrigues a título de rendas.

O edifício, composto de rés-do-chão, primeiro andar, sótão e logradouro, possui uma área coberta de 535,80 metros quadrados e uma superfície descoberta de 156,20 metros quadrados.

Almeida disse que a alienação da antiga sede da PROCAC permitiu reduzir em oito por cento a dívida da AAC/OAF ao Estado e evitar pagamento de coimas no montante de 30 000 euros.

A questão da alegada dívida da instituição ao seu anterior presidente, estimada em dois milhões de euros, sem embargo de contornos mal definidos sobre a legitimação do assunto, é caso para deslindar nos tribunais, declarou Paulo Almeida.

Segundo o novo timoneiro da Briosa, ela está “melhor, financeiramente”, do que se encontrava em meados de 2016.

“Não lembra ao diabo que o anterior presidente divulgue um comunicado de 15 em 15 dias”, opina o advogado.

Para Paulo Almeida, o despedimento colectivo que consistiu na desvinculação de oito futebolistas constituiu a trave-mestra da sustentabilidade do clube, sendo que só com um deles (Ivanildo) foi impossível a obtenção de acordo.

“Não podia haver sequer mais um mês com aquela massa salarial”, alega o jurista, precisando que ela “baixou significativamente”.

Neste contexto, segundo Almeida, avulta a expectativa de uma boa época desportiva, se não antes, pelo menos, na temporada futebolística de 2017-18.

“A Direcção não vai desistir”, rematou o timoneiro da Académica/OAF.