Coimbra  21 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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AAC atribui estatuto de sócio honorário à Direcção de 1969

9 de Abril 2019

Estudantes reunidos em Assembleia Magna aprovaram, ontem, a atribuição do estatuto de sócio honorário da Associação Académica de Coimbra aos membros da Direcção-Geral envolvidos na “Crise académica” de 1969.

Num auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra quase cheio, 453 alunos votaram a favor da condecoração dos membros da DG da AAC que enfrentou o Estado Novo, há 50 anos.

O escrutínio não apurou um único voto contra ou abstenção, naquela que foi uma Assembleia Magna convocada com um só ponto de discussão.

“Hoje, agradecemos às mãos generosas que nos libertaram e ao vento amigo que nos devolveu a liberdade; nem foram mãos desconhecidas, nem foi um vento distante; estes homens e mulheres que aqui homenageamos são essas mãos; eles tomaram em si a responsabilidade e devemos-lhes, agora, o reconhecimento”, refere a moção, lida pelo actual presidente da Direcção-Geral, Daniel Azenha.

A moção reconhece “em todos os órgãos sociais da Associação Académica de Coimbra de 1969 a personificação dos princípios da AAC na defesa de uma sociedade democrática, universal, igual, não sujeita à determinação autoritária e na promoção dos Direitos Humanos”.

“É um dia muito feliz; tinha receio que não houvesse adesão, mas os estudantes vieram fazer parte deste momento histórico e não deixaram esquecer o que aqueles estudantes fizeram por nós”, disse à Agência Lusa Daniel Azenha.

Segundo o dirigente associativo, as condecorações serão entregues durante as comemorações da “Crise académica” de 1969 que estão a ser organizadas pela AAC.

A antiga DG da Associação Académica era constituída por Alberto Martins, Celso Cruzeiro, José Salvador, José Gil, Matos Pereira, Fernanda Bernarda e Osvaldo Castro, cabendo a presidência da Mesa da AG a Décio Sousa e a do Conselho Fiscal a Carlos Baptista.

A “Crise académica” de 1969 começou em 17 de Abril daquele ano, quando Alberto Martins pediu a palavra, durante a inauguração do edifício do Departamento de Matemática, em que esteve presente o Presidente português de entã0, Américo Tomaz, e o ministro da Educação, José Hermano Saraiva.

Alberto Martins foi detido, nessa noite. Seguiram-se várias iniciativas de contestação estudantil, nomeadamente manifestações e greve aos exames, a que o Governo respondeu com prisões e a incorporação compulsiva dos estudantes no Serviço Militar Obrigatório para combaterem na guerra colonial.

O reitor da Universidade de Coimbra e o ministro da Educação acabaram por se demitir.

 

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