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AAC apela à intervenção da ONU para libertar estudante preso no Egipto

18 de Fevereiro 2020

Ainda que sem ligações a Coimbra e à sua comunidade estudantil, a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) veio repudiar as acções do Estado egípcio contra o estudante e activista Patrick George Zaki, numa declaração que apela à intervenção da ONU.

O aluno egípcio, que se encontrava a realizar um Mestrado sobre a Igualdade de Género na Universidade de Bolonha, foi detido, a 07 de Fevereiro e consecutivamente torturado, “numa clara violação pela convenção das Nações Unidas e dos Direitos Humanos”, denuncia a Associação Académica de Coimbra.

“Preso no aeroporto internacional do Cairo aquando de uma visita à sua família, Patrick George Zaki, de 27 anos, é um reconhecido activista no Egipto, debruçando-se nos estudos da igualdade de género enquanto actividade científica. E é, por estas mesmas razões, que os advogados de Patrick acusam as autoridades egípcias de o manterem detido, tendo sido igualmente alvo de espancamento, choques eléctricos e ameaças”, adianta o presidente da AAC, Daniel Azenha, em comunicado.

Nesse sentido, a AAC “manifesta o seu profundo repúdio pelo retrocesso civilizacional que este caso representa para os estudantes do ensino superior de todo o mundo, em particular em relação à sua liberdade de expressão e de pensamento”.

“É uma situação inaceitável e desumana”, refere Daniel Azenha, sublinhando que “a Academia de Coimbra, ao longo da sua história, sempre foi marca de resistência contra os abusos de poder e regimes autoritários. As suas inúmeras gerações lutaram por direitos, liberdades e garantias que qualquer sistema democrático considera, actualmente, como essenciais”.

“Temos, portanto, o dever de apontar o dedo ao regime egípcio e de denunciar os abusos. Exigimos a libertação imediata do colega Patrick George Zaki e reclamamos por uma investigação internacional sobre o tratamento e as torturas que recebeu”, urge o presidente da AAC.

No próximo dia 22 de Fevereiro, o estudante será apresentado perante a justiça egípcia, sendo um dia fundamental para a sua libertação, pelo que a Academia de Coimbra procura, por isso, “mobilizar a comunidade internacional em torno deste caso, não só através desta denúncia mas também reivindicando junto da Organização das Nações Unidas uma intervenção urgente”.

“De forma a salvaguardar a restituição dos Direitos Humanos e das liberdades fundamentais do estudante egípcio, o próprio Secretário-Geral da ONU tem de ser alertado para esta situação, aguardando a comunidade estudantil internacional com expectativa por uma resolução inequívoca. A AAC está também a impulsionar o movimento associativo europeu, nomeadamente através da Associação Europeia de Estudantes, para que a pressão seja crescente até ao dia 22 de Fevereiro”, finaliza Daniel Azenha.