Entre Novembro e Dezembro, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, a Escola Superior de Educação de Coimbra e o Centro de Formação da Associação de Escolas Minerva juntaram-se para desenvolver uma oficina de formação de 50 horas focada na educação para a infância.
Acreditada pelo Conselho Científico e Pedagógico para a Formação Contínua (CCPFC), a actividade teve por objectivo o desenvolvimento de metodologias pedagógicas inclusivas e participativas para evitar a transmissão de estereótipos que limitam o pleno desenvolvimento das crianças, influenciando a vida e as escolhas futuras de rapazes e raparigas.
A partir da investigação realizada no projecto KINDER, têm sido divulgados resultados que sustentam a importância de criar iniciativas orientadas para profissionais de educação, a partir de ferramentas que tenham em conta as experiências e desafios que existem em lidar com o tema do género em contexto escolar.
No Dia Mundial do Professor, foi lançada uma campanha sob o mote “a desconstrução de estereótipos (também) começa na escola”. Segundo um questionário nacional em meio escolar, realizado no âmbito da pesquisa, 75% dos profissionais de educação considera que não tem formação suficiente sobre igualdade de género. Ao mesmo tempo, 73% do total de inquiridos confessa que é muito importante promover a igualdade de género em contexto escolar na primeira infância.
No âmbito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, o KINDER juntou-se à acção de sensibilização internacional anual “16 Dias de Activismo contra a Violência de Género”, aproveitando para divulgar resultados preliminares do projecto, que reforçam a ideia de que a educação é fundamental para responder às causas estruturais da violência de género.
Os dados obtidos através de um inquérito realizado junto de responsáveis parentais indicam que as crianças, sobretudo os rapazes, são afectados pela pressão de esconderem os seus sentimentos quando se sentem tristes, ou inseguros, que não se sentem confortáveis a chorar ou a falar sobre as suas emoções, e, ainda, que a empatia não é uma característica valorizada pela sociedade.
A investigação defende que questionar noções socialmente construídas sobre género e sobre os papéis acordados a rapazes e raparigas pode desempenhar um papel importante na promoção de uma sociedade mais cuidadora, justa e igualitária.
No seu website, o projecto KINDER disponibiliza diferentes recursos e metodologias que podem ser usadas por professores e educadores para trabalhar o domínio da igualdade e desconstrução de estereótipos com as crianças, alguns deles construídos em colaboração com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.