Três meses após as eleições autárquicas, o executivo da Junta de Freguesia de Barcouço, na Mealhada, ainda não está constituído, devido a não terem sido aprovados os vogais que deverão formar equipa com o presidente eleito pelo PS.
O socialista João Duarte foi eleito presidente da Junta de Barcouço nas eleições autárquicas de 26 de Setembro de 2021, contando com 43,54 por cento dos votos, o que lhe permitiu assegurar um terceiro mandato.
O Movimento Independente Mais Melhor (MIMM) e a coligação Juntos pelo Concelho da Mealhada (PSD, CDS-PP, IL, MPT e PPM) foram as restantes forças políticas que reuniram mais votos, com 27,68% e 19,90% respectivamente.
O presidente da Câmara Municipal da Mealhada e líder do MIMM, António Jorge Franco, referiu que, “como não houve maioria absoluta, faria sentido as restantes forças políticas ficarem representadas no órgão executivo” e acrescentou que realizaram quatro reuniões, “mas os nomes que o presidente de Junta apresentou para vogais [tesoureiro e secretário] foram sempre chumbados. No nosso entender, ele deveria correr os oito membros eleitos da freguesia para irem a votos, mas ele recusou-se, apresentando nomes associados ao PS e não chegando a acordo com as restantes forças políticas”, acrescentou.
Para evitar que “este impasse durasse eternamente”, António Jorge Franco diz que o Movimento Independente Mais Melhor abdicou de colocar um dos seus eleitos, recebendo a garantia de que no executivo da Junta de Freguesia de Barcouço figurasse pelo menos um eleito de outra força política.
“Tomámos esta decisão porque pretendemos que a Junta de Freguesia esteja em funcionamento em prol da população. Neste momento, a Junta de Freguesia encontra-se em autogestão e o maior prejuízo é para a população que não é servida”, justificou.
O presidente da Junta de Freguesia de Barcouço, João Duarte, sublinhou ainda que, depois da reunião que aconteceu na quarta-feira, “estão agora reunidas condições para se formar o executivo”, o que deverá ocorrer em assembleia de freguesia no dia 15.
João Duarte recordou que não foi fácil chegar a este pré-acordo, mesmo após quatro reuniões.
“Na primeira reunião que se seguiu às eleições e como a proposta era do presidente da Junta, propus dois elementos dos meus eleitos (PS). Na segunda reunião, já propus que fosse um elemento PS e outro a oposição, mas a oposição pretendia que os dois vogais fossem constituídos por um elemento de cada uma das restantes forças com assento”, contou.
No seu entender, tal não fazia sentido, tendo em linha de conta os resultados das eleições.
“Em números redondos, o PS teve 43%, o Movimento 27%, a Coligação 19 % e não fazia sentido colocar um elemento de cada. Sempre sugeri que fosse uma cedência de cada lado, eu cedia um lugar e eles outro”, apontou.
Com o “pré-acordo” firmado na quarta-feira, João Duarte espera que venha a ser possível eleger os dois vogais e “começar a trabalhar, aprovando o Orçamento e respetivo plano de actividades”.