Coimbra  18 de Maio de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Câmara quer assumir terrenos da IP junto à Estação Nova de Coimbra

18 de Maio 2026 Jornal Campeão: Câmara quer assumir terrenos da IP junto à Estação Nova de Coimbra

A Câmara de Coimbra assumiu a vontade de garantir que os terrenos da Infraestruturas de Portugal (IP) junto à Estação Nova possam passar para a esfera municipal para projecto que contemple habitação a custos acessíveis, escritórios e comércio.

Na cerimónia de assinatura do protocolo de subconcessão da Estação Nova de Coimbra, que passa a estar a cargo do Município, depois de ter sido desactivada no âmbito das obras do Metrobus, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa, assumiu a vontade de o Município poder assumir a posse dos terrenos da IP junto àquela estação, próximos do passeio ribeirinho.

Em declarações aos jornalistas, a autarca disse que a IP estava a preparar um pedido de informação prévia (PIP) com projecto para aqueles terrenos, tendo havido um diálogo com a tutela para uma possível passagem para a esfera municipal.

“Estamos a trabalhar naquilo que pode ser também um contrato. Ainda vamos ver a modalidade. Não podemos ignorar que há um conjunto de investimentos que a IP tem prometido para Coimbra e nem que seja essa a contrapartida”, disse Ana Abrunhosa.

“Sabemos que aqueles terrenos têm um valor e nós queremos ter lá classe média, queremos ter lá jovens, queremos ter lá escritórios, queremos ter lá espaços de cultura, também”, acrescentou.

A autarca vincou que não quer que aquele espaço se torne “inacessível à classe média nem aos jovens”, defendendo que o Município possa avançar, naquela zona, com um projecto que assegure preços regulados e controlados. “A ideia é a Câmara garantir condições de acesso àquela zona privilegiada para a classe média e para os jovens”, vincou.

Presente na cerimónia e posteriormente numa viagem de Metrobus, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, também fez referência aos terrenos da IP, admitindo que a tutela estava “a negociar”.

Recentemente, a agência Lusa questionou a IP sobre a titularidade futura daqueles terrenos e qual o ponto de situação do projecto, tendo a entidade afirmado que a proposta de requalificação estava incorporada num estudo urbanístico da margem direita desenvolvido no anterior mandato autárquico.

De momento, a IP aguardava que o actual executivo municipal procedesse à revisão desse mesmo plano, para avaliar “a sua viabilidade e eventuais formas de desenvolvimento”, não esclarecendo se era intenção da entidade alienar os terrenos ou passar a sua titularidade para o Município.

De acordo com Ana Abrunhosa, há várias empresas que já procuram a Câmara para “construir naqueles terrenos”, esperando que seja possível o Município assumir o projecto e garantir “habitação a custos acessíveis”, comércio e espaços de escritórios naquela zona, vincando que é um ponto de baixo risco de inundação e que “pode e deve ser vivida”.

Questionada sobre o plano de pormenor da futura estação de alta velocidade, a presidente da Câmara de Coimbra disse que está a ser concluído, esperando fazer mais uma sessão pública final do mesmo.

No final da viagem de Metrobus, Ana Abrunhosa salientou a importância da expansão daquele sistema a outros concelhos da região, vincando que a ideia de uma região metropolitana se faz “sobretudo nos transportes”.

Nesse sentido, considerou que os próprios Transportes Urbanos de Coimbra deveriam ser integrados numa única operação com a Comunidade Intermunicipal (CIM), garantindo aos trabalhadores o seu vínculo ao Município.

Sobre o futuro da Estação Nova, Ana Abrunhosa afirmou que a autarquia irá avançar já com um centro de boas-vindas para turistas, numa intervenção que não precisará de “grandes obras”.

Além disso, está também previsto que ali se crie a sede da Agência para a Inovação e Investimento Go Coimbra (antiga empresa municipal iParque), num programa de reconversão do edifício em que está prevista uma auscultação da população.

Também na sessão da Estação Nova, foi assinado um acordo que permite ao Município utilizar e requalificar oito parcelas junto ao IC2.