Coimbra  15 de Maio de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Marionet estreia em Coimbra peça que chama a atenção para as ribeiras urbanas

15 de Maio 2026 Jornal Campeão: Marionet estreia em Coimbra peça que chama a atenção para as ribeiras urbanas

A companhia de teatro Marionet estreia no sábado “Peça para Rios”, espectáculo que decorre numa ribeira urbana de Coimbra, para reflectir sobre estes ecossistemas alvos de pressões urbanísticas ao longo das últimas décadas.

Três investigadores guiam o público pela Ribeira da Madrigueira (também conhecida como ribeira do Vale das Flores), num avanço contra a corrente, enquanto procuram caracterizar aquele curso de água – morfologia, vegetação, elementos artificiais.

Na parte naturalizada do leito da ribeira, onde crescem agora amieiros e freixos, as três personagens sinalizam as transformações daquele curso de água, hoje quase todo ele escondido por betão – a peça segue até esse ponto em que acaba o canal artificial que segue por baixo do Vale das Flores altamente urbanizado.

A nova peça da Marionet surge de uma colaboração antiga da companhia de teatro com um grupo de investigação da Universidade de Coimbra que trabalha em torno da ecologia dos rios e, para este espetáculo, a partir de um projecto específico que estuda a relação das ribeiras urbanas com a saúde das pessoas, o OneAquaHealth, disse à agência Lusa o encenador Mário Montenegro.

Para este trabalho, a companhia procurou perceber a relação que as pessoas têm com aquela e outras ribeiras urbanas do concelho, a história da ribeira e as transformações que foi sofrendo ao longo dos últimos 50 anos, em que um vale onde havia sobretudo quintas foi sendo cada vez mais urbanizado.

Para Mário Montenegro, aquela ribeira – grande parte dela está entubada e escondida – é um exemplo da pressão exercida sobre corredores verdes nas cidades.

A peça procura “abrir perspetivas de um outro futuro não apenas para este curso, mas para outros cursos de água”, afirmou.

“É preciso uma outra relação das pessoas com estes ribeiros. Não os podemos esconder”, disse, referindo que o próprio projeto científico em que a Marionet é parceira mostra que há “benefícios para a saúde das pessoas”, quando são promovidos e preservados os ecossistemas ribeirinhos em cursos de água urbanos.

Na peça, as três personagens refletem sobre o passado, presente e futuro daquele rio, ao mesmo tempo que têm relações distintas com a natureza e com a sua profissão enquanto biólogos. Uma investigadora quer proteger a Natureza, mas tem medo dela, outro tem uma visão economicista em torno daquele curso de água e a líder do grupo assume uma perspetiva meramente técnica do seu trabalho, sem se preocupar com questões morais associadas.

No sábado, a peça é apresentada às 15h00 e às 17h00, repetindo-se as sessões duplas a 23 e 30 de Maio, num espetáculo de entrada livre e sem necessidade de reserva.

A 23 de Maio, às 17h00, a sessão de apresentação inclui interpretação em Língua Gestual Portuguesa.