Três semanas depois de ter reiterado que a intenção de alteração do Regulamento de prestação de serviço docente era para concretizar, a Universidade de Coimbra optou pela suspensão da medida, “tendo em conta a revisão do Estatuto da Carreira Docente” (ECD), cuja conclusão se aguar da para breve. Em resposta ao “Campeão”, que dedicou notícia ao assunto na sua anterior edição impressa, uma porta-voz da UC, ao confirmar o recuo, alude a sus pensão e não a cancelamento, fazendo notar que em sede de revisão do ECD “as matérias legais em causa poderão vir a ser melhor esclarecidas”. A menos de um ano da eleição do(a) próximo(a) reitor(a), a semântica usada, sem descartar a alteração do regulamento, fica à mercê do alinhamento (ou da inexistência) do(a) futuro(a) titular da Reitoria em relação a Amílcar Falcão. A par dos vice-reitores cessantes Alfredo Dias (Ciências e Tecnologia) e Delfim Leão (Letras), são tidos como candidatos a reitor(a) Carlos Robalo Cordeiro (Medicina) e Cláudia Cavadas (Farmácia).
Como noticiou o nosso Jornal, um “Manifesto pela docência e investigação na Universidade de Coimbra”, posto a circular no passado recente, alertava para alegada “ingerência sem precedentes na vida profissional e pessoal” dos professores. O documento surgiu na sequência de outro, que foi subscrito por 70 docentes da Faculdade de Direito de Coimbra, intitulado “O declínio da profissão: causas e soluções”. No Conselho de Gestão da UC, a par do reitor, do vice-reitor Luís Neves e do administra dor Luís Bento Rodrigues, tem assento, mediante escolha de Amílcar Falcão, o professor as sociado da FDUC Licínio Lopes Martins, que é um dos subscritores da sobredita carta aberta à comunidade académica. Um recuo é um recuo. Acresce que, quando não se pode voltar a ter iniciativa, o recuo consiste em cancelamento e não em suspensão.