Os preços das casas para comprar em Portugal continuam a subir e atingiram, em Abril de 2026, um novo máximo histórico, ao mesmo tempo que o mercado de arrendamento dá sinais de arrefecimento. Segundo os dados do índice de preços do idealista, comprar casa no país ficou 10,8% mais caro face ao mesmo mês de 2025, enquanto arrendar registou uma descida anual de 2,7%.
No final de Abril, o preço mediano das casas à venda situava-se nos 3.121 euros por metro quadrado, alcançando um novo máximo histórico pelo sexto mês consecutivo. Em termos trimestrais, os preços aumentaram 2,4%, confirmando a tendência de valorização do mercado residencial português.
A subida dos preços de venda foi generalizada em praticamente todo o país, com destaque para o interior e para as ilhas. Entre as capitais de distrito e regiões autónomas analisadas, Santarém liderou os aumentos anuais, com uma valorização de 25,4%, seguida de Viseu, com 24,3%, e Beja, com 23%. Faro, Leiria, Guarda, Ponta Delgada, Setúbal, Viana do Castelo e Braga também registaram subidas acima dos 12%.
Lisboa continua a ser a cidade mais cara para comprar casa, com um preço mediano de 6.109 euros/m2. Seguem-se o Porto, com 4.044 euros/m2, e o Funchal, com 3.939 euros/m2. Entre os valores mais baixos surgem Beja, Vila Real e Guarda, sendo esta última a única capital analisada abaixo dos 1.000 euros/m2, com 997 euros/m2.
Ao nível dos distritos e ilhas, todas as 25 zonas analisadas registaram aumentos anuais nos preços de venda. A maior subida ocorreu na ilha de Porto Santo, onde os preços dispararam 33,7%. Seguiram-se São Jorge, Terceira, Castelo Branco e Santarém. Apesar das fortes valorizações em zonas de menor densidade e nas ilhas, Lisboa mantém-se como o distrito mais caro para comprar casa, com 4.695 euros/m2, à frente de Faro, Porto Santo, Madeira e Setúbal.
Por regiões, o Alentejo foi o território com maior valorização anual no mercado de compra, com uma subida de 21,3%. Seguiram-se os Açores, com 19,3%, o Centro, com 12%, a Madeira, com 11,3%, e a Área Metropolitana de Lisboa, com 11,1%. A região Norte apresentou a subida mais moderada, de 8,6%. Ainda assim, a Área Metropolitana de Lisboa continua a ser a mais cara do país para comprar casa, com 4.379 euros/m2, enquanto o Centro permanece como a região mais acessível, com 1.774 euros/m2.
Em sentido contrário, o mercado de arrendamento mostra sinais de descida. Em Abril, arrendar casa em Portugal custava 16,4 euros/m2, menos 2,7% do que no mesmo mês do ano anterior. Este valor afasta-se do máximo histórico de 17 euros/m2 registado em Outubro de 2025 e prolonga uma tendência de descida que já se vinha verificando desde Janeiro.
Ainda assim, a evolução das rendas varia bastante consoante a localização. Entre as capitais de distrito e regiões autónomas analisadas, Faro registou a maior subida anual, de 10,6%, seguida do Funchal, com 10,3%, e de Ponta Delgada, com 9,7%. Setúbal, Leiria, Évora, Santarém, Coimbra e Aveiro também registaram aumentos. Já o Porto, Braga, Viseu e Lisboa apresentaram descidas, com Lisboa a recuar 1,7%.
Apesar da queda, Lisboa continua a ser a cidade mais cara para arrendar casa, com 22 euros/m2. Seguem-se o Funchal, com 17,4 euros/m2, e o Porto, com 16,6 euros/m2. No extremo oposto, Viseu permanece como a cidade mais económica, com 7,6 euros/m2.
Entre distritos e ilhas, Bragança destacou-se com a maior subida anual das rendas, de 51,3%, seguida da ilha de São Miguel, Madeira, Beja, Castelo Branco e Santarém. Já a maior descida foi registada na Guarda, onde as rendas caíram 17,6%. Também Portalegre, Coimbra, Porto, Viseu, Lisboa e Braga registaram quedas.
A nível regional, os Açores lideraram as subidas no arrendamento, com um aumento anual de 19,1%, seguidos pela Madeira, com 11,4%, e pelo Alentejo, com 7,2%. O Norte e a Área Metropolitana de Lisboa registaram descidas, de 6,3% e 1,6%, respetivamente, enquanto o Algarve se manteve praticamente estável. A Área Metropolitana de Lisboa continua, ainda assim, a ser a região mais cara para arrendar casa, com 19,6 euros/m2, seguida da Madeira e do Algarve.
Os dados mostram, assim, duas tendências distintas no mercado habitacional português: a compra de casa continua a bater recordes, impulsionada por valorizações generalizadas no território, enquanto o arrendamento começa a corrigir em algumas das zonas mais pressionadas, incluindo Lisboa e Porto.