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Ordem dos Médicos acolhe em Coimbra tertúlia sobre a vida e obra de Fernando Namora

13 de Abril 2026 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos acolhe em Coimbra tertúlia sobre a vida e obra de Fernando Namora

“Fernando Namora: Roteiros de uma vida, meandros de uma obra” é o tema da tertúlia que decorrerá quarta-feira, dia 15, às 18h00, na Sala Miguel Torga da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, em Coimbra.

A iniciativa, inserida nas celebrações dos 52 anos do 25 de Abril, é organizada pelo Ateneu de Coimbra / Universidade Popular, em parceria com a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, e visa dar corpo a uma reflexão sobre o percurso humano e artístico de um dos mais marcantes escritores portugueses do século XX.

Rui Jacinto, geógrafo, conduz-nos a todos os territórios do médico que foi escritor e do escritor que nunca quis deixar de ser médico.

Ao longo da vida (Condeixa-a-Nova, 15 de Abril de 1919 – Lisboa, 31 de Janeiro de 1989), Fernando Namora construiu um itinerário criativo que ele próprio identificou em diferentes fases. “A fase de uma juventude em ambiente universitário provinciano, a fase rural, depois a fase citadina, finalmente a confrontação do homem português com o homem de outros horizontes geográficos e culturais” – lê-se na sinopse do conferencista.

O Professor Rui Jacinto irá, nesta tertúlia, mostrar o percurso multiterritorial de Fernando Namora que deu origem a uma obra vasta e multifacetada, onde se inscrevem “verdadeiros mapas de um atlas literário”, retratando com sensibilidade a alma das pessoas e o espírito dos lugares que conheceu.

A tertúlia, que decorre no 88.º ano da vida literária de Fernando Namora, propõe “situar o homem no espaço e no tempo seu tempo”, acrescenta ainda o conferencista na mesma sinopse, analisando uma produção literária desenvolvida ao longo de décadas coincidentes com “uma fase negra da história de Portugal”.

A escrita de Fernando Namora reflecte, de forma crítica e humanista, os desafios sociais e políticos do seu tempo, mantendo, ainda hoje, uma surpreendente actualidade. Num contexto contemporâneo em que a memória histórica é frequentemente desvalorizada e o olhar se concentra predominantemente no espaço urbano, a obra de Namora destaca-se pela capacidade de articular diferentes dimensões da experiência humana.

E voltamos a citar o conferencista Rui Jacinto: “Os laivos de actualidade que persistem na obra de Fernando Namora conferem ao seu legado uma dimensão intemporal cuja leitura é recomendada aos que pretendam compreender melhor o contexto sociopolítico em que foi construída. Num tempo em que se tenta apagar a História e em que o pensamento dominante se foca obsessivamente no urbano, a obra de Namora é uma feliz conjugação de opostos, uma salutar tensão entre contrários, seja entre nós e o outro, a noite e a madrugada, o rural e o urbano”.

Esta iniciativa visa (re)descobrir a escrita do médico Fernando Namora, sublinhando a relevância e intemporalidade do seu legado literário (poesia, romances, contos, memórias e impressões de viagem), essencial para uma compreensão mais profunda da sociedade portuguesa e das suas transformações.

Rui Jacinto, o conferencista, é assistente-convidado aposentado no Instituto de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Tem realizado trabalhos sobre dinâmicas económicas e sociais, organização e reestruturação dos territórios e incidência regional e local das políticas de desenvolvimento.

Além do envolvimento na gestão de projectos, programas e intervenções operacionais, de diferentes Quadros Comunitários de Apoio, Rui Jacinto tem participado em redes de investigação e de cooperação entre diferentes actores, dinamizando iniciativas ligadas à formação e ao desenvolvimento económico, social e cultural. Leccionou disciplinas na área da Cultura Portuguesa, Pensamento Contemporâneo e Metodologias de Investigação.