Desde sexta-feira da passada semana, há militares presentes em certas estações de metro e comboios em Bruxelas. O objectivo anunciado dessas patrulhas é melhorar a segurança nessas zonas, a fim de lidar com o tráfico de droga, que tem penetrado cada vez mais fundo na cidade e trazido as suas nefandas consequências para o espaço público. Estas patrulhas são mistas, compostas por polícias e militares. Por agora, há 45 militares destacados para esta missão e, embora dependente da evolução no terreno, espera-se que este modelo se mantenha válido por seis meses. A responsabilidade em matérias que são da competência da polícia permanece com a polícia. Mas os polícias são agora apoiados por militares no seu trabalho de patrulha. Juntar-lhes militares não demonstra, afinal, que a polícia já não consegue fazer o seu trabalho? A verdade é que há muito se vem reclamando uma subida do número de efectivos, pelo que o reforço com militares é uma saída, pelo menos temporária, para esta situação em que os polícias não conseguem dar resposta a todas as situações que exigem a sua intervenção.
Mas a necessidade é real ou meramente política, destinada à gestão de – dir-se-ia – percepções de insegurança? Vejamos os números: em 2025, Bruxelas bateu o recorde de tiroteios: 101. O relatório anual da Polícia Federal dá mais detalhes: em 2025, foram apreendidos 195 mil euros produto de criminalidade e foram abertos 693 inquéritos ligados ao tráfico de estupefacientes. A Polícia Judiciária Federal dedicou 20% da sua capacidade de investigação à criminalidade ligada à droga. Os tiroteios, em particular, têm-se multiplicado, com mortos e feridos, sobretudo jovens do sexo masculino. Estes tiroteios incluem o recurso a armas pesadas do tipo kalashnikov. Os especialistas não têm dúvidas em afirmar que a maior parte da violência constatada em Bruxelas está ligada ao meio da droga, muitas vezes a conflitos entre redes diferentes de tráfico. As vítimas destes conflitos, porém, são não apenas os membros dessas redes, mas também pessoas que são completamente alheias a esses circuitos e que se tornam vítimas colaterais. Além do tráfico propriamente dito, a droga faz a sociedade desembocar numa série de delitos atrelados ao vício, nomeadamente os furtos e roubos. Só no ano de 2023 a região de Bruxelas capital registou perto de 70 000 roubos ou furtos. Também os arrombamentos, assaltos a veículos e roubos com arma de fogo têm visto os números aumentar – também aqui, com ligação, directa ou indirecta, ao tráfico de droga.
Por isso, se alguns vêem com alguma reserva a presença de militares nas ruas, ela parece lamentavelmente um mal necessário. Enquanto uma solução mais estrutural, que ataque os problemas na fonte, não é semeada ou não dá frutos, espera-se que estas medidas ajudem a mitigar o flagelo da criminalidade em expansão.