
Projecto do futuro espaço com carregamento eléctrico
O posto de combustível localizado na Rua do Brasil (zona do Calhabé), em Coimbra, vai encerrar por decisão do vereador Luís Filipe, no próximo sábado, 14 de Fevereiro, numa movimentação que surpreendeu as entidades exploradoras deste espaço, uma vez que o alvará de exploração detido pelo mesmo permitiria o seu funcionamento, pelo menos, até 24 de Novembro de 2026.
A GALP preparava-se para ali instalar um “hub” energético sustentável com postos de carregamento rápidos para veículos eléctricos. O que a não ser possível extingue os postos de trabalho.
A exploração do posto de combustível era efectuada ao abrigo de um direito de superfície celebrado entre o Município de Coimbra e a GALP. Esta última almejava a obtenção de uma prorrogação desse mesmo direito de superfície, conforme pedido submetido junto do Município de Coimbra a 13 de Outubro de 2025. Pedido esse que não obteve qualquer resposta da parte da edilidade até à notificação da decisão do vereador Luís Filipe, que deu conhecimento da extinção do direito de superfície sobre o qual assentava a exploração do posto de combustível.
Esta decisão por parte do vereador é considerada como “unilateral” e “desconsiderando os antecedentes que haviam norteado o pedido de prorrogação apresentado pela GALP”. Especificamente, promover as condições necessárias com vista a uma futura reconfiguração e regeneração do posto de combustível, com vista à sua futura descarbonização.
“Hub” energético
Esta descarbonização teria como objectivo final a conversão da estação da Rua do Brasil num “hub” energético sustentável e multifuncional, com a introdução, designadamente, de postos de carregamento rápidos para veículos eléctricos e a instalação de uma nova loja de apoio no local. Também com esse intuito em mente, foram realizadas ao longo dos últimos 4 anos reuniões com os técnicos e os anteriores executivos da Câmara Municipal, tendo sido realizada em 2024 uma apresentação ao anterior executivo camarário do esboço do projecto que se estava a delinear.
Fonte próxima do processo refere que “foi com consternação que a notificação do senhor vereador foi recebida na semana passada”. “A GALP, em colaboração com a sua parceira, Aníbal Antunes Bandeira, Lda, estava a desenvolver um esforço com vista à realização de um investimento considerável na área, que contribuiria para a sua revitalização, valorizaria o património do município e permitiria uma aposta em energias renováveis num ponto central da cidade”, explicou.
“Havia – e há ainda – a disponibilidade para fazer esse investimento. É estratégico para as empresas aqui envolvidas a reconfiguração deste tido de infra-estruturas e pretendia-se uma aposta forte na parceria com o Município de Coimbra nesta matéria. Infelizmente, perante esta decisão, e pelo menos no curto prazo, esta parceria fica dificultada” – acrescenta, sabendo-se que existe “vontade em manter e acreditar que no futuro seria possível recuperar um projecto desta natureza no centro da cidade de Coimbra”.
Sensibilizar a Câmara
Os envolvidos consideram que “para a Rua do Brasil é uma perda lamentável” e gostariam de “perceber melhor esta nova posição do Município”. “Em abono da verdade, um projecto desta natureza é sempre desafiante e sensibilizar a Câmara Municipal não é fácil. Ainda assim, da parte dos dois executivos anteriores parecia haver uma abertura para encontrar o melhor enquadramento para manter o direito de superfície e, assim, viabilizar este investimento da GALP, em benefício de toda esta zona da cidade. E estava-se a trabalhar-se nesse sentido”, referem.
A mesma fonte diz que as empresas “querem ainda acreditar que esta decisão do senhor Vereador não será um entrave definitivo para tentar recuperar um projecto desta natureza, fazendo até fé nas declarações da senhora presidente da Câmara Municipal de que o executivo que encabeça pretende ser um ‘defensor do investimento’ e ‘amigo do empresário’”.
No entretanto, os trabalhos para o encerramento do posto de combustível encontram-se já em curso, sendo que, inclusivamente, serão desencadeados os procedimentos para extinção dos correspondentes postos de trabalho. “Quanto a este ponto em particular”, refere a mesma fonte, “irão procurar as melhores soluções, pese embora os enquadramentos legais aplicáveis, para que os trabalhadores não sejam prejudicados por aquela decisão”.