Coimbra  11 de Fevereiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Ordem dos Médicos alerta para sobrecarga de internos e pede “coragem política”

11 de Fevereiro 2026 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos alerta para sobrecarga de internos e pede “coragem política”

A Ordem dos Médicos apelou hoje a uma intervenção política determinada para alterar o funcionamento dos serviços de urgência, sublinhando que os médicos internos não devem ser tratados como “carne para canhão” e expressando preocupação com a qualidade da formação dos futuros especialistas.

Durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde sobre as vagas para o internato médico, o bastonário Carlos Cortes afirmou que colocar médicos internos em serviços onde faltam especialistas pode comprometer a segurança dos utentes e levar ao esgotamento dos próprios médicos.

“Desculpem-me a expressão, mas eles não são carne para canhão”, afirmou Cortes, defendendo a necessidade de “coragem política” para mudar o modelo de urgência. “Senão, vamos ter um SNS a afundar-se permanentemente”, acrescentou.

O bastonário explicou que concentrar todos os recursos no serviço de urgência, que recebe muitas situações que não são urgentes, cria uma “disfunção no internato médico”. Esta pressão, disse, afasta os jovens médicos de especialidades como a Medicina Interna, pelo que “o SNS precisa de especialistas e não de médicos sem uma diferenciação”.

Carlos Cortes referiu ainda que, nos últimos anos, o SNS tem sofrido alterações com maior foco na vertente assistencial, o que tem impacto directo na formação médica.

O bastonário apresentou dados da Ordem dos Médicos que evidenciam um aumento significativo das vagas para a formação de especialistas, de 1.680 em 2017 para 2.335 em 2026, “o maior número de sempre”.

Cortes destacou também as visitas da Ordem aos serviços de saúde para avaliar a realidade da formação médica e apoiar a manutenção da idoneidade destes locais. “É um dever de responsabilidade e até de cidadania. Mais do que retirar idoneidade, é importante ajudar a resolver a situação”, afirmou, citando como exemplo o trabalho desenvolvido no Hospital Amadora-Sintra para manter médicos especialistas e preservar a capacidade formativa.