O Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) realizou uma inspecção técnica ao talude exterior do dique do rio Mondego, na zona sob o tabuleiro da Auto-estrada 1, e concluiu que, neste momento, não há qualquer fenómeno de instabilidade ou insegurança estrutural.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) explicou que esta inspecção surgiu depois de as autoridades locais terem relatado o aparecimento de ressurgências com alguma expressão no talude exterior do dique do rio Mondego regularizado, na zona sob o tabuleiro da Auto-estrada A1.
A inspecção, realizada na sexta-feira, às 17h30, “permitiu concluir que não se encontra, em curso, neste momento qualquer fenómeno de instabilidade ou insegurança estrutural”.
Contudo, face à possibilidade de subidas do nível da água do rio, o LNEC recomendou, como medida preventiva, a instalação de sistemas de filtragem destas ressurgências com recurso a sacos de areia, que serão colocados em todas as juntas onde se verifica a saída de água.
“As entidades competentes continuam a acompanhar permanentemente a situação, apelando para que se mantenha a tranquilidade, siga as orientações da Protecção Civil e se mantenha informada através dos canais oficiais”.
Ana Abrunhosa, presidente do município de Coimbra, já tinha informado que a Protecção Civil municipal estava a monitorizar em contínuo a situação, estando a barragem da Aguieira a efectuar descargas controladas.
Também o comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores, Paulo Palrilha explicou que as infra-estruturas que permitem descarregar água do canal central do rio para os campos agrícolas, a jusante da ponte-açude, “estão todas em boas condições e a funcionar”.
O rio Mondego possui quatro descarregadores para a margem direita: um dique fusível na zona da mata do Choupal, em Coimbra, a funcionar desde a manhã de sexta-feira, que permite escoar até 200 m3/s e três diques sifão (cada um com capacidade de descarga idêntica ao dique fusível) colocados a jusante daquele, rio abaixo.
A descarga de água para os campos de Coimbra e Montemor-o-Velho, embora possa potenciar uma inundação na planície agrícola, insere-se na obra hidráulica do Mondego e permite retirar pressão sobre o leito central e garantir que o rio não galga ou parte as margens (diques) do canal artificial por onde corre até à Figueira da Foz.
O presidente da autarquia de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, notou que a gestão dos caudais “está a ser controlada” pelas autoridades, não antecipando problemas mais graves do que a eventual inundação de zonas habitualmente afectadas pela subida das águas, situação que tem levado a sucessivos alertas do município que dirige.
“Se tudo funcionar como deve ser [na obra hidráulica], se os descarregadores funcionarem, não deverão existir problemas graves”, como o rebentamento dos diques do canal central – o que sucedeu em 12 locais em 2001 e em dois locais, um no canal central e outro no leito periférico direito nas cheias de 2019 – “porque o rio tinha muita madeira e os descarregadores estavam entupidos”, explicou o autarca.