Coimbra  31 de Janeiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Oliveira do Bairro: modernidade com identidade e com as pessoas no centro

31 de Janeiro 2026 Jornal Campeão: Oliveira do Bairro: modernidade com identidade e com as pessoas no centro

O poder local configura-se como a governação por excelência, aquela que está mais próxima das pessoas e impacta de um modo mais direto nas suas vidas. De modo acentuado após a recente descentralização de competências operada pelo poder central, esta perceção cresce entre os cidadãos.

Esta semana, para oferecer uma visão ampla do seu concelho, ao nível dos princípios que orientam a ação, conversámos com o presidente da Câmara de Oliveira do Bairro, Duarte Novo, que nos falou de um território pujante, moderno sem perda de identidade, que se vai afirmando como referência do espaço bairradino.

Campeão das Províncias [CP]: Oliveira do Bairro está entre o litoral e o interior, entre o rural e o industrial. O que é que, hoje, distingue verdadeiramente o concelho dos territórios vizinhos? E o que é que tem de comum?

Duarte Novo [DN]: Oliveira do Bairro distingue-se, desde logo, pela sua capacidade de equilíbrio. Somos um território que soube crescer industrialmente sem romper com a sua matriz rural, que soube modernizar-se sem perder identidade. Essa convivência entre indústria, agricultura, comércio local e qualidade ambiental não é um acaso — é resultado de opções políticas consistentes e de uma cultura de trabalho muito enraizada.

O que temos de comum com os territórios vizinhos é a pertença a uma região dinâmica, a Bairrada, mas também a Região de Aveiro, com desafios partilhados ao nível da mobilidade, da demografia ou da competitividade económica, mantendo a identidade cultural e vitivinícola bairradina. O que nos distingue é a forma como respondemos: com planeamento, estabilidade governativa e uma forte centralidade nas pessoas na nossa ação pública. Essa combinação tem permitido afirmar Oliveira do Bairro como um concelho fiável, previsível e com visão de longo prazo.

CP: Quando fala de desenvolvimento para o concelho, está a falar sobretudo de crescimento económico, de coesão social ou de qualidade de vida? Onde é que, na prática, se fazem escolhas e se aceita conscientemente perder?

DN: Falar de desenvolvimento sem falar das pessoas é falar apenas de números. Para nós, crescimento económico, coesão social e qualidade de vida não são alternativas — são dimensões indissociáveis e intrínsecas.

Claro que isso significa fazer escolhas claras. Preferimos um crescimento mais exigente, regulado e sustentável, a um crescimento rápido que fragilize o território. Aceitamos perder o imediato quando ganhamos equilíbrio, coesão e futuro. É por isso que investimos simultaneamente em zonas industriais modernas, em políticas sociais robustas, em educação e em espaço público qualificado.

O Orçamento de 2026 traduz exatamente essa opção: crescer, sim, mas crescer melhor — com impacto positivo na vida das pessoas e não apenas nos indicadores económicos.

CP: Se tivesse de indicar duas prioridades estruturais para este mandato, daquelas que não dão retorno imediato, mas moldam o concelho a dez ou quinze anos — quais seriam?

DN: A primeira é, sem dúvida, a educação e a qualificação do capital humano do território. A requalificação das escolas, o reforço nos apoios aos alunos, as bolsas de estudo, os programas de ciência, a melhoria das competências emocionais e inclusão não dão manchetes imediatas, mas moldam gerações. É aqui que se constrói o verdadeiro futuro de um concelho.

A segunda prioridade estrutural é a organização inteligente do território: mobilidade, e aqui a ligação à Autoestrada n.º 1. é fundamental para a nossa competitividade empresarial, zonas industriais qualificadas, habitação qualificada, sustentabilidade ambiental e modernização administrativa. A aposta nos territórios inteligentes, na digitalização e na gestão eficiente dos recursos é uma aposta silenciosa, mas absolutamente decisiva para a competitividade futura de Oliveira do Bairro.

CP: Que constrangimentos mais travam a ação da Câmara: financeiros, administrativos, demográficos ou políticos? E onde termina a responsabilidade do município e começa a do Estado central?

DN: O maior constrangimento continua a ser administrativo e burocrático. Muitas vezes temos vontade política, capacidade financeira e projetos maduros, mas enfrentamos processos lentos, pareceres sucessivos e decisões que não dependem do poder local.

O Município deveria, tendencialmente, assumir mais o que está ao seu alcance: planeamento, investimento, proximidade e execução. Mas há domínios — como grandes infraestruturas, saúde ou políticas fiscais estruturais — onde a responsabilidade é do Estado central. O nosso papel é ser exigente, cooperante e persistente, defendendo os interesses do concelho sem deixar de ter uma visão no bem regional e nacional.

CP: Num contexto de envelhecimento e mobilidade constante, como pode Oliveira do Bairro fixar jovens e famílias, não apenas através de emprego, mas de um verdadeiro projeto de vida?

DN: Fixar pessoas exige muito mais do que postos de trabalho. Exige habitação acessível, boas escolas, serviços de saúde próximos, cultura, desporto, espaço público cuidado e sentimento de pertença.

É isso que temos vindo a construir: uma política integrada onde o emprego caminha lado a lado com qualidade de vida. O Campus da Idade Maior, o Plano Municipal da Juventude, os apoios às famílias, a cultura descentralizada, o apoio às associações e o investimento na educação são peças de um mesmo projeto: fazer de Oliveira do Bairro um concelho onde vale a pena viver — em todas as fases da vida.

CP: Se alguém regressar a Oliveira do Bairro daqui a 15 anos, o que gostaria que estivesse claramente diferente? E o que teme que, apesar de tudo, continue igual?

DN: Gostaria que encontrasse um concelho mais qualificado, mais sustentável, com uma economia diversificada, uma população mais jovem e serviços públicos modernos, digitais e próximos. Um território onde o desenvolvimento económico tenha reforçado — e não fragilizado — a coesão social.

O que temo que continue igual é aquilo que não depende apenas de nós: a lentidão dos processos, a excessiva centralização de decisões e algumas desigualdades estruturais do país. Ainda assim, acredito que a persistência, a estabilidade e a visão estratégica permitem, mesmo nesses contextos, fazer a diferença. E é isso que nos move: deixar um legado sólido, responsável e humano para quem vier depois de nós.

Luís Francisco Marques