Coimbra  30 de Janeiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

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BE diz que Kristin mostra como Coimbra segue vulnerável a fenómenos climáticos

30 de Janeiro 2026 Jornal Campeão: BE diz que Kristin mostra como Coimbra segue vulnerável a fenómenos climáticos

O Bloco de Esquerda (BE) defendeu hoje que a depressão Kristin demonstra como o distrito de Coimbra “continua estruturalmente vulnerável a fenómenos climáticos extremos”, após os diversos danos registados no território.

A Comissão Coordenadora Distrital de Coimbra do BE refere que a depressão de quarta-feira “volta a expor uma realidade bem conhecida por quem vive no distrito de Coimbra”.

“O território continua estruturalmente vulnerável a fenómenos climáticos extremos, como ficou evidente na tempestade Leslie, em 2018, e agora novamente com a Kristin, em 2026”, frisa.

De acordo com a distrital bloquista, “não se trata de acontecimentos excepcionais, mas de efeitos cada vez mais frequentes da crise climática, resultado de um modelo económico inconsequente”.

A vulnerabilidade é, na óptica do BE, agravada por décadas de privatização de serviços essenciais (como a energia e as telecomunicações), pela falta de investimento na Protecção Civil, falta de ordenamento do território e ausência de políticas consistentes de cuidado com os territórios e as populações.

“Estas situações atingem de forma particularmente dura as zonas do interior do distrito e os territórios rurais, mesmo quando próximos dos centros urbanos”, sublinha.

Isto revela “as fragilidades de um modelo profundamente centralista, que concentra recursos e decisões demasiado longe das comunidades e falha repetidamente na prevenção e na resposta rápida”.

Ao afirmar que a protecção das pessoas e do território tem de estar no centro das políticas públicas, defende que é “urgente investir seriamente na adaptação às alterações climáticas, na prevenção de riscos, no reforço da Protecção Civil, na requalificação das infra-estruturas e no apoio às comunidades mais vulneráveis”.

O partido expressa “a sua profunda solidariedade” com todas as pessoas, comunidades e vítimas afectadas pela depressão, bem como com “todos os profissionais que, em condições difíceis, estiveram nas operações de socorro, protecção e reposição de serviços essenciais”.

O Bloco de Esquerda sublinha que a depressão “atingiu com violência o distrito de Coimbra”, na quarta-feira, “provocando cheias, deslizamentos, danos significativos em habitações, equipamentos públicos e infraestruturas, evacuações preventivas e a interrupção prolongada de serviços básicos”.

“Segundo a Protecção Civil da Região de Coimbra, os impactos fizeram-se sentir nos 19 municípios da Região Metropolitana de Coimbra, com especial incidência no litoral e na zona centro do distrito, mas também em concelhos do interior e em zonas rurais ou periurbanas próximas das cidades”.

Apesar de ainda faltarem elementos que permitam ter uma visão completa dos danos e das vítimas, “os relatos que chegam de várias localidades são deveras preocupantes”.

O BE classifica a solidariedade como indispensável em momentos de emergência, um acto que se traduz “na rápida avaliação dos prejuízos, no apoio efectivo à reparação dos danos e, sobretudo, na responsabilidade política de agir de forma preventiva, antes da próxima tragédia”.