Coimbra  30 de Janeiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Autoridades garantem que caudal do Mondego está a ser controlado

30 de Janeiro 2026 Jornal Campeão: Autoridades garantem que caudal do Mondego está a ser controlado

As autoridades de Protecção Civil e de autarquias da região de Coimbra garantiram esta noite que os caudais do rio Mondego estão a ser monitorizados e controlados, embora existam alertas de cheias nos municípios a jusante de Coimbra.

Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra, disse que a Protecção Civil municipal está a monitorizar em contínuo a situação, estando a barragem da Aguieira a efectuar descargas controladas.

Já o comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores, Paulo Palrilha, que se encontrava junto da presidente de Câmara, observou que as infra-estruturas que permitem descarregar água do canal central do rio para os campos agrícolas, a jusante da ponte-açude, “estão todas em boas condições e a funcionar”.

O rio Mondego possui quatro descarregadores para a margem direita: um dique fusível na zona da mata do Choupal, em Coimbra, a funcionar desde a manhã de ontem, que permite escoar até 200 m3/s e três diques sifão (cada um com capacidade de descarga idêntica ao dique fusível) colocados a jusante daquele, rio abaixo.

A descarga de água para os campos de Coimbra e Montemor-o-Velho, embora possa potenciar uma inundação na planície agrícola, insere-se na obra hidráulica do Mondego e permite retirar pressão sobre o leito central e garantir que o rio não galga ou parte as margens (diques) do canal artificial por onde corre até à Figueira da Foz.

O caudal do Mondego na ponte-açude de Coimbra, que rondava a meio da tarde de ontem os 1.450 metros cúbicos por segundo (m3/s), o equivalente a 1,45 milhões de litros de água por segundo, foi subindo gradualmente nas últimas horas, situando-se, pelas 21h15, nos 1.757 m3/s, nível de alerta laranja do plano especial de cheias do concelho de Coimbra.

Ana Abrunhosa esclareceu, no entanto, que aquele plano não foi activado, por estar activo o plano municipal de emergência de Coimbra, bem como o plano distrital e a situação de calamidade decretada pelo Governo, nos territórios afectados pela depressão Kristin, que, automaticamente, leva à activação dos vários planos de emergência.

Já José Veríssimo, presidente da autarquia de Montemor-o-Velho, notou que a gestão dos caudais “está a ser controlada” pelas autoridades, não antecipando problemas mais graves do que a eventual inundação de zonas habitualmente afectadas pela subida das águas, situação que tem levado a sucessivos alertas do município que dirige.

“Se tudo funcionar como deve ser [na obra hidráulica], se os descarregadores funcionarem, não deverão existir problemas graves”, como o rebentamento dos diques do canal central – o que sucedeu em 12 locais em 2001 e em dois locais, um no canal central e outro no leito periférico direito nas cheias de 2019 – “porque o rio tinha muita madeira e os descarregadores estavam entupidos”, explicou o autarca.

“Mas, em 2016, o rio não rebentou os diques porque o sistema funcionou e esperamos que agora aconteça o mesmo”, evidenciou José Veríssimo.

Sobre a situação revelada junto à localidade de Casais (Coimbra), de infiltração de água no dique da margem esquerda, proveniente do leito central e que está a preocupar os moradores das povoações vizinhas, a GNR disse à Lusa estar a monitorizar o caso em permanência.

Já o comandante Paulo Palrilha lembrou que aquele dique foi o primeiro a partir em 2001, tendo, depois disso, sido reforçado com betão e que as escorrências que se verificam estão a passar pelas juntas de dilatação da infra-estrutura, não pondo em causa, neste momento, a sua integridade.

Por seu turno, o autarca José Veríssimo confirmou que ali existe uma infraestrutura “em profundidade, que tem funcionamento automático e, quando a água chega a um determinado nível, nunca abre”.

“Rebentou em 2001 e depois foi reparado. Mas em 2016 tinha uma fuga, em 2019 tinha uma fuga e continua com uma fuga”, avisou o presidente da Câmara, lembrando, como sucedeu em 2001, que “se a água for muita, pode vir a acontecer” um rebentamento de diques.

“Mas se a obra funcionar toda não acontece. Em 2025 chegaram a passar 2.160 metros cúbicos [por segundo] na ponte-açude e não houve problemas de maior. Vai encher os campos, que já estão saturados de água e com pouca capacidade de encaixe, pode provocar alguns prejuízos, mas vai ser uma situação controlada”, reafirmou.