A Câmara de Coimbra aprovou os princípios gerais do caderno de encargos para a reestruturação da rede dos transportes urbanos, já a pensar na entrada em funcionamento do futuro do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).
A Câmara de Coimbra aprovou por unanimidade as especificações técnicas e princípios gerais do caderno para a reestruturação da rede dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), que foram da autoria do docente e especialista em transportes Álvaro Seco (antigo presidente da Metro Mondego e candidato à presidência da Câmara de Coimbra pelo PS, em 2009), que marcou presença na reunião do executivo desta segunda-feira.
Segundo a vereadora com o pelouro dos transportes, Ana Bastos, o procedimento será com recurso a consulta prévia de “três a cinco entidades” nacionais, estando previsto que o trabalho de reestruturação custe até 75 mil euros.
Os princípios gerais do caderno de encargos têm por base manter os actuais níveis de conectividade e frequências médias oferecidas, considerando “todas as componentes passíveis de melhorias e que contribuirão para uma maior eficiência económica”.
A reestruturação da rede tem como objectivo, entre outros, reduzir o número de transbordos necessários numa viagem entre origem e destino e reduzir a concorrência “redundante das redes de transporte”, com uma optimização da oferta, assim como uma maior pontualidade e regularidade da rede.
O trabalho foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar coordenada por Álvaro Seco, mas que contou com a participação de técnicos da Câmara de Coimbra, dos SMTUC e da Metro Mondego.
O procedimento terá um prazo de execução de 10 meses, com cinco fases distintas (cada uma delas a necessitar de aprovação do trabalho desenvolvido pelo Município).
No documento de Álvaro Seco que apresenta os princípios base, o especialista nota que a actual rede dos SMTUC se apresenta “densa na zona urbana central, com sobreposições significativas com a futura rede do SMM”, com um “recurso muito significativo a soluções variantes e parcelares face ao traçado base das linhas” e um recurso “significativo a circuitos circulares unidireccionais”.
Para o docente, é necessário manter a familiaridade do actual serviço, mantendo os níveis de cobertura, sugerindo uma simplificação da rede, para que possa ser “mais compreensível e apelativa”.
No documento a que a Lusa teve acesso e que suporta a proposta do município, Álvaro Seco defende uma rede de base dos SMTUC, com cinco linhas que garantem a cobertura de circuitos chave não cobertos pelas linhas do SMM, que completam essa rede “central base”. Essas linhas devem ser rápidas e fiáveis, prevendo pontos de interligação com o SMM, ferrovia e transportes intermunicipais.
Para além dessa rede base, o especialista propõe uma rede complementar com linhas que garantem a cobertura de “espaços urbanos centrais” não servidos pela rede principal, sempre ancoradas numa ligação à rede principal dos SMTUC ou do SMM.
Álvaro Seco sugere ainda uma rede periurbana, com linhas “organizadas de forma tendencialmente radial face ao centro”, que devem estar sempre ligadas à rede central.
Na reunião do Executivo municipal, Ana Bastos salientou que esta reestruturação não irá pôr em causa zonas já servidas pelos SMTUC, mas tendo como pressupostos optimizar a rede, notando que há “um excesso e abuso de [linhas] parcelares”.
“Cascais tem menos de 30 linhas. Nós temos 100. Muitas são extensas e sobrepõem-se umas às outras. A ideia é manter uma boa cobertura geográfica, temporal, mas retirando excessos”, aclarou.