Convida algumas pessoas que considera poderem acrescentar saber e perspectiva ao tema em análise e dessa ponderada reflexão recolhe precioso contributo que traga mais valia à discussão que os tempos próximos vão trazer: continuam a fazer sentido os jornais impressos ou o futuro da informação passará fatalmente por novas plataformas, sobretudo aquelas a que meio mundo agora recorre e que têm por si a “vantagem” de dispensarem os rigores, a ética, a verdade de que a informação pela via dos jornais, rádio e televisão nos dispensa? O mundo está hoje dividido nesta discussão.
Há – felizmente a maior e melhor parte, se assim se poderá dizer – quem ache que os jornais e todos os meios tradicionais continuam a fazer todo o sentido e não deixarão de o ter enquanto garantes do tal rigor que a deontologia e a ética informativa não dispensam e que está a cargo dos verdadeiros jornalistas, devidamente credenciados. Outros entendem que a vida moderna não se compadece com esses rigores e exigências e o que importa é passar a mensagem. Mais ou menos truncada pouco importa. Apesar desse risco, é mais rápida, fluida, chega a todo o lado num abrir e fechar de olhos, tem a força de pôr o mundo – e todo o mundo – em movimento a favor de uma causa.
Como Jornal tradicional que somos, está bom de ver de que lado estamos. Mas não é isso que interessa aos leitores. O que está em cima da mesa é uma questão muito séria: deve a sociedade contemporânea continuar a cultivar a informação de rigor e de verdade, eticamente suportada nos valores civilizacionais enquanto pilares da vida em comum ou poderá essa mesma sociedade sentir-se remediada e suficientemente servida, mesmo sacrificando um quanto de verdade e de rigor, outro tanto do cultivo de valores que o mundo que nos trouxe até aqui considera estruturantes e por isso mesmo indispensáveis?
É tempo de trazer esta discussão à mesa das nossas preocupações cívicas e culturais. O “Campeão” dá aqui um modesto contributo enquanto Jornal mas fá-lo pela pena de quem tem pensamento próprio, estruturado, ousado e destemido. Foi e será sempre com gente deste calibre que o mundo lança as amarras da sua própria decência.
(*) Jornalista e Director do “Campeão das Províncias