Nem a pesada tempestade Krintin, nem o soprar do vento, levou as “azias” das últimas eleições autárquicas, pairam no ar resquícios, digestões difíceis para uns, festança para outros, o tempo decorrido não foi muito, as escolhas, o afinar gabinetes, conhecer os “cantos” da casa e são muitos, a confiança e fiabilidade funcional, consomem a paciência.
Toda a aprendizagem envolve percepções, por vezes certezas que o tempo desmente e um erro de percepção até pode ser “pecado”, mas há “pecados” muito maiores.
A política é a arte do possível e o estado da arte tem de ser expandido aos cidadãos, nessa expansão não é indiferente a comunicação social, os jornalistas e as redes sociais.
Nas autarquias os gabinetes de comunicação social, entre outras funções, têm de servir para informar e proteger, mas para isso, têm de estar muito atento ao mundo rodeante. Exige-se manter o respeito e a cordialidade com a imprensa, a base de construção de uma imagem sólida e confiável.
Na vida todos enfrentamos dificuldades e a arte está em as transformar em oportunidades.
O ocorrido tem de servir para melhorar a comunicação futura com os jornalistas. Treinem porta-vozes, elaborem comunicados, estabeleçam relações próximas com a imprensa, criem uma “via verde” ao diálogo, consolidem o gabinete de comunicação social, informações adicionais, apresentando factos e evidências, que possam corrigir os erros ou esclarecer mal-entendidos.
Se uma publicação contém informação incorrecta ou prejudicial, formalmente solicitem a correcção ou retratação, os Media possuem canais específicos para o efeito, com a paciência que a circunstância impõe, exige e, no limite, recorra-se a orientação jurídica.
Todos são santos e pecadores
Na “sala” não existem santos e pecadores, todos são santos e pecadores. Retirar a confiança a um jornalista, tanto pode significar não querer dar mais entrevistas, como implicitamente uma crítica ao trabalho do jornalista. Mas, daí partir para questões de ética e liberdade de imprensa, censura ou intimidação, ignorando o percurso profissional, académico, político, do autor ou autora, é francamente muito exagerado, diria mais parece “tempestade em copo de água”.
Vivemos tempos difíceis, conturbados, que a todos afecta, seria melhor procurar entender o motivo da retirada de confiança e o contexto da afirmação. O jornalista, santo e pecador como todos nós, como sempre, vai manter a ética e o profissionalismo, cobrindo as notícias com imparcialidade.
Atenta a gravidade da situação com toda a certeza a Presidente da Câmara, de quem a cidade e o concelho tanto esperam, vai para bem de Coimbra, com os factos e porque não reconhecer lacunas, esclarecer e ultrapassar a delicada situação, sem esquecer que todo o fogo se apaga com o líquido certo.
(*) Economista