Coimbra  17 de Abril de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Dia Mundial do Rim assinala-se em Coimbra com os 50 anos do Serviço de Nefrologia

10 de Março 2026 Jornal Campeão: Dia Mundial do Rim assinala-se em Coimbra com os 50 anos do Serviço de Nefrologia

O Serviço de Nefrologia da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra assinala 50 anos na próxima quinta-feira, dia 12, coincidindo com a celebração do Dia Mundial do Rim.

Pelas 10h30, no auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra, decorrerá a sessão comemorativa do meio século do Serviço de Nefrologia, criado em 1976, que inclui una homenagem aos fundadores e o balanço de 50 anos de inovação em transplantação e diálise.

A Sociedade Portuguesa de Nefrologia estará presente e assinala também o Dia Mundial do Rim, que este ano tem como tema “Cuidar de Pessoas, Proteger o Planeta” e coloca em destaque como a tecnologia médica pode ser mais “verde”, reduzindo o consumo de água e resíduos plásticos nos tratamentos de diálise, sem comprometer a qualidade de vida do doente.

Na sessão serão apresentados os registos da doença renal referentes a 2025, pela médica Ana Galvão, e haverá uma palestra pelo Professor Rui Alves, o anterior director do Serviço de Nefrologia da ULS de Coimbra, que reuniu também o idêntico serviço do Hospital Geral (Covões). No átrio dos HUC será inaugurada uma exposição de fotografia e equipamentos antigos, que mostra a evolução desde as primeiras máquinas de hemodiálise em Coimbra até às técnicas de vanguarda actuais.

Pode ser 5.ª causa de morte

Para a directora do Serviço de Nefrologia da ULS de Coimbra, Professora Helena Sá, é importante falar-se dos rins, pois a doença renal crónica poderá ser a 5.ª causa de morte em 2050. Realçando que esta é uma “doença silenciosa”, pois progride com poucos sintomas, alerta para a necessidade de se estar atento a sinais de alerta através de análises ao sangue e à urina nas vigilâncias de rotina.

Destacando que a Nefrologia da ULS de Coimbra é um Serviço de excelência do SNS, a Prof.ª Helena Sá deu conta que no ano passado foram realizadas cerca de um milhar de consultas por especialista, efectuadas 200 biópsias renais e 130 transplantes do rim (área onde Coimbra é referência europeia). Antes da falência deste órgão, a doença renal crónica exige a hemodiálise, a diálise peritoneal, ou o tratamento convencional.

Um dos próximos projectos do Serviço passa por avançar para a hemodiálise domiciliária, o que será uma mais-valia para o doente, mas o melhor mesmo é, como acentua a Prof.ª Helena Sá, a pessoa cuidar dos rins, mantendo-se em forma e activa, controlar o nível de açúcar no sangue, monitorizar a pressão arterial, comer de forma saudável e manter o peso sob controlo, assim como ingerir líquidos saudáveis. É importante verificar a função renal se houver factores de risco (diabetes, hipertensão, obesidade).

A “mula” do organismo

Como curiosidade, a directora do Serviço de Nefrologia referiu que os rins são também designados pela expressão “mula” do organismo. Isto porque, apesar de apenas terem 120 gramas, fazem um trabalho pesado e silencioso. Trabalham sempre e diariamente processam 180 litros de água e 1,200 kg de sal! O seu objectivo é purificar o organismo, eliminando toxinas e excessos através da urina. Um esforço hercúleo e invisível.

Um dos exemplos de como se pode sobreviver foi apresentado através do testemunho de José Natário, um engenheiro com 61 anos de idade e que foi transplantado há 35 anos, sendo presidente do Centro Social de Orvalho, Castelo Branco.