Desde a passagem da tempestade Kristin que o concelho de Penela se encontra privado da circulação no IC3, no troço compreendido entre Penela e o Espinheiro, um eixo rodoviário estruturante que assegura a ligação entre Condeixa e Tomar.
O encerramento daquela via tem provocado graves constrangimentos à população, ao tecido empresarial e às instituições locais, afectando igualmente serviços essenciais como os bombeiros e restantes meios de emergência. O tráfego encontra-se actualmente desviado para vias alternativas que não dispõem das características adequadas ao volume e ao tipo de circulação agora registado, aumentando os riscos e os tempos de deslocação.
O Município de Penela tem vindo a diligenciar junto das Infraestruturas de Portugal no sentido de obter esclarecimentos e soluções. Contudo, até ao momento, não foi apresentada qualquer proposta concreta nem divulgada uma calendarização pública para a realização das intervenções necessárias.
Perante a ausência de respostas, a população organizou-se e promoveu uma recolha de assinaturas que reuniu cerca de mil subscrições em apenas uma semana, num concelho com aproximadamente cinco mil habitantes. A carta aberta resultante dessa iniciativa foi entregue na Assembleia Municipal da passada sexta-feira, expressando de forma objectiva as preocupações e exigências da comunidade.
Os cidadãos de Penela, e todos os utilizadores do IC3 entre Condeixa e Tomar, colocam questões claras: que medidas de mitigação podem ser implementadas de imediato? Que calendário concreto está previsto para os trabalhos? Para quando uma solução definitiva ou, pelo menos, faseada?
A situação ultrapassa a dimensão local e assume contornos de coesão territorial. Para muitos, está em causa o princípio da igualdade entre cidadãos, defendendo que o interior do país não pode continuar a ser sistematicamente esquecido ou tratado como secundário sempre que surgem crises infra-estruturais. As populações do interior, sublinham, têm os mesmos direitos à mobilidade, à segurança e à previsibilidade que qualquer outro território nacional.
Os habitantes de Penela reiteram, por isso, que merecem respostas claras, públicas e urgentes por parte das Infraestruturas de Portugal relativamente ao futuro daquele troço fundamental do IC3.