A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defendeu hoje que Portugal deve assumir a liderança na protecção e valorização económica dos oceanos, classificando-os como um activo estratégico de importância vital para a humanidade.
Na sessão de abertura do I Fórum Mar Portugal, organizado pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR), a governante sublinhou que, enquanto país com uma das maiores zonas económicas exclusivas do mundo, Portugal tem a responsabilidade de desempenhar um papel preponderante na defesa e valorização do oceano.
O encontro reuniu, em Faro, decisores políticos, investigadores, instituições financeiras, empresas e organizações internacionais para debater formas de transformar conhecimento científico em valor económico sustentável e em políticas públicas eficazes.
Maria da Graça Carvalho sustentou que o país deve liderar pelo exemplo na defesa do oceano enquanto ecossistema essencial à regulação do clima e reservatório de biodiversidade, conciliando essa missão com o desenvolvimento da economia azul — conjunto de atividades ligadas ao mar e às zonas costeiras, assentes na sustentabilidade ambiental e na transição ecológica.
Entre as áreas prioritárias, destacou actividades inovadoras que aliem protecção e valorização, como o ecoturismo marinho sustentável e a biotecnologia azul, nomeadamente no desenvolvimento de novos fármacos, sem comprometer os habitats.
Durante a sessão, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), António Miguel Pina, entregou à ministra a carta de intenções “Algarve Capital Natural”, através da qual os 16 municípios da região assumem o compromisso de afirmar o Algarve como referência na valorização sustentável do capital natural, incluindo a protecção ambiental, a economia azul e o desenvolvimento sustentável dos ecossistemas costeiros e marinhos.
Também o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, José Apolinário, apelou ao reforço do investimento para converter conhecimento científico em valor económico sustentável, defendendo que uma economia azul sólida depende de maior financiamento.
O biólogo marinho e cientista climático Carlos Duarte destacou a importância da Ria Formosa enquanto infra-estrutura de capital natural, considerando que a região dispõe de capital humano qualificado para impulsionar a economia azul.
A Ria Formosa, sistema lagunar que se estende por cerca de 60 quilómetros entre Loulé e Vila Real de Santo António, é uma das zonas húmidas mais relevantes do país, pelo seu valor ecológico, económico e paisagístico.