Nova ponte sobre o Mondego é uma necessidade estratégica, legalmente enquadrada e tecnicamente justificada.
Os acontecimentos recentes, nomeadamente a rotura na A1, não foram um episódio isolado, foram um alerta sério. Coimbra ficou, mais uma vez, exposta à fragilidade da sua rede viária estruturante e à ausência de redundância eficaz nas
ligações Norte Sul.
Não podemos continuar a gerir a mobilidade por reação a crises. É imperativo planear com visão, responsabilidade e enquadramento técnico.
Enquanto Vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, defendo a construção de uma nova ponte sobre o Rio Mondego, ligando São Silvestre (margem norte) à União de Freguesias de Taveiro, Arzila e Ameal (margem sul). Trata-se de uma infraestrutura estruturante que responde simultaneamente a três dimensões fundamentais:
1. Descongestionamento real e mensurável
A Rotunda do Almegue e a zona da Casa do Sal são atualmente pontos críticos de saturação, concentrando fluxos provenientes da A1, IC2, EN111 e ligações urbanas internas. A ausência de alternativas eficazes obriga ao atravessamento de tráfego intermunicipal pelo tecido urbano, agravando:
– tempos médios de deslocação;
– emissões poluentes;
– risco rodoviário;
– desgaste das infraestruturas existentes.Uma nova travessia permitiria redistribuir fluxos, criar um corredor alternativo estruturante e reduzir pressão sobre os atuais eixos saturados.
2. Segurança e resiliência territorial
A legislação nacional é clara quanto à necessidade de planeamento preventivo:
– Lei de Bases da Proteção Civil (Lei n.º 27/2006) impõe às autarquias o dever de garantir condições de prevenção e mitigação de riscos coletivos;
– Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT) determina que o planeamento municipal deve assegurar coesão territorial e funcionalidade das infraestruturas;
– Plano Diretor Municipal (PDM) prevê a necessidade de reforço das ligações estruturantes e melhoria da mobilidade inter-freguesias.
A inexistência de redundância eficaz nas travessias do Mondego constitui uma vulnerabilidade estratégica. Em caso de acidente grave, cheias, interrupções rodoviárias ou catástrofes naturais, Coimbra fica excessivamente dependente de um número limitado de pontos de atravessamento.
Planeamento responsável não é opcional, é uma obrigação legal e ética.
3. Coesão territorial e desenvolvimento sustentável
A ligação entre São Silvestre e Taveiro/Arzila/Ameal reforça:
– a integração das freguesias periféricas no sistema urbano;
– o acesso a zonas industriais e logísticas;
– a atratividade económica da margem sul;
– a redução do atravessamento de tráfego pesado pelo centro.
Não se trata de promover mais trânsito, trata-se de o organizar melhor.
Coimbra precisa de decisões estruturantes e não apenas de soluções pontuais. A experiência recente mostrou que estamos vulneráveis. Ignorar esse sinal seria um erro político grave.
A construção desta nova ponte deve ser integrada nos instrumentos de planeamento e nos programas de financiamento comunitário disponíveis, nomeadamente no âmbito do Portugal 2030 e dos fundos destinados à mobilidade sustentável e resiliência territorial.
A cidade que se antecipa é a cidade que lidera.
A cidade que reage tarde paga sempre um custo mais elevado.
Coimbra merece planeamento estratégico, segurança e visão de futuro.
Maria Lencastre Portugal
Vereadora da Câmara Municipal de Coimbra