Coimbra  3 de Fevereiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Campanha do Dia Mundial do Cancro reforça apelo por mais dignidade financeira para os doentes

3 de Fevereiro 2026 Jornal Campeão: Campanha do Dia Mundial do Cancro reforça apelo por mais dignidade financeira para os doentes

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) defendeu esta terça-feira o pagamento a 100% das baixas médicas atribuídas a doentes oncológicos, considerando que a actual protecção social é insuficiente para responder ao impacto económico da doença.

O presidente da LPCC, Vítor Veloso, alertou que as pessoas com cancro continuam a ser penalizadas financeiramente numa fase de grande fragilidade. “As pessoas com cancro não podem continuar a ser penalizadas financeiramente por estarem doentes. A doença não reduz apenas a capacidade de trabalho, afecta profundamente a vida económica, social e familiar”, afirmou.

De acordo com a informação divulgada, a Liga destina anualmente cerca de dois milhões de euros a apoios sociais directos para famílias em situação de vulnerabilidade económica, cujos rendimentos são “drasticamente reduzidos” após o diagnóstico de cancro. Para a instituição, estes números reflectem as lacunas existentes no sistema de protecção social.

“Esta realidade demonstra que a protecção social existente continua a ser insuficiente para garantir dignidade, estabilidade e segurança financeira às pessoas com cancro e aos seus cuidadores”, sublinhou a LPCC, reforçando a necessidade de medidas mais robustas por parte do Estado.

A tomada de posição surge na véspera do Dia Mundial do Cancro, que se assinala na quarta-feira, no âmbito da campanha global “Unidos por Cada Um”, promovida pela União Internacional de Controlo do Cancro. A Liga associa-se à iniciativa com o objectivo de sensibilizar a sociedade para os desafios enfrentados pelos doentes oncológicos e as suas famílias.

Além da questão das baixas médicas, a LPCC defende também o reforço de cuidados de proximidade, de forma a garantir um acompanhamento mais próximo e humano aos doentes, especialmente nas fases mais exigentes do tratamento.

No âmbito da campanha, a instituição apelou ainda à participação de escolas, unidades de saúde, empresas, autarquias e grupos de voluntários, desafiando-os a desenvolver iniciativas de sensibilização, como a criação de murais, concursos de desenho e outras actividades comunitárias, promovendo uma abordagem colectiva e participativa à temática do cancro.

A Liga considera que o envolvimento da sociedade civil é essencial para combater o estigma da doença e para pressionar a adopção de políticas públicas que assegurem melhores condições de vida aos doentes oncológicos em Portugal.