Oliveira do Hospital registou duas dezenas de ocorrências devido ao mau tempo, havendo o risco de que três mil pessoas do concelho fiquem sem água devido ao entupimento das captações de água, avisa o presidente da Câmara.
Devido à forte precipitação sentida, duas captações de água do concelho, uma na margem do rio Alvoco, em Alvoco das Várzeas, e a outro do rio Alva, na vila de Avô, estão inundadas e desactivadas, “o que leva a problemas de abastecimento de águas”.
As duas captações, das Águas Públicas da Serra da Estrela, servem uma área geográfica na qual estão cerca “de três mil pessoas”, revelou à agência Lusa o presidente da autarquia, José Francisco Rolo.
“A única alternativa é activar os bombeiros para abastecerem os reservatórios, uma vez que as captações estão desactivadas, porque foram inundadas pelo caudal de água e lama”, explicou.
“Temos aqui uma situação dramática ao nível do abastecimento de água”, embora, por volta das 19h00, não houvesse residências sem água.
De acordo com o edil, as Águas Públicas da Serra da Estrela estão a trabalhar em parceria com o Município de Oliveira de Hospital e com os bombeiros, para garantir que os reservatórios sejam abastecidos.
Ao longo do dia de ontem, o concelho registou 20 ocorrências, relacionadas essencialmente com quedas de árvores, deslizamentos de terras e derrocadas.
O desabamento de uma encosta na Estrada Municipal 508 exigiu “grandes cuidados”, levando ao corte da circulação, apesar de o trânsito já ter sido restabelecido nos dois sentidos, estando agora “com a vigilância redobrada”. Está é “uma estrada importante”, que liga Ponte das Três Estradas à Aldeia das Dez, esclareceu José Francisco Rolo.
A subida do nível da água dos rios, particularmente dos rios Alva e Alvoco, levou a que zonas balneares ficassem “completamente submersas” e com as estruturas de apoio destruídas, como as da praia fluvial de Alvoco, São Sebastião da Feira e Avô.
O mau tempo levou ainda à destruição completa da cobertura de um abrigo de animais, no qual viviam duzentas ovelhas Serra da Estrela, na freguesia do Seixo da Beira.
“Estamos a tentar encontrar uma solução para ajudar aquele criador”, tendo as duas centenas de animais sido levadas a um abrigo, vincou.
Diversos arruamentos, em termos de circulação automóvel e pedonal, viram-se “gravemente condicionados por questões de segurança”, devido ao risco de desabamento de muros de xisto, com as pessoas a terem de encontrar soluções alternativas para poderem aceder às suas habitações.
Questionado sobre o possível valor dos prejuízos sentidos pelo concelho ao longo dos últimos dias, José Francisco Rolo disse que, neste momento, a autarquia “não arrisca fazer a avaliação de custos”. As aulas prosseguem normalmente esta sexta-feira.