Coimbra  22 de Janeiro de 2026 | Director: Lino Vinhal

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Coimbra ganha nova biblioteca junto ao Mondego com espólio de Carlos Fiolhais

22 de Janeiro 2026 Jornal Campeão: Coimbra ganha nova biblioteca junto ao Mondego com espólio de Carlos Fiolhais

Coimbra ganhou esta semana um novo espaço dedicado aos livros, ao pensamento e ao encontro entre gerações. Instalado na antiga Estação Elevatória do Parque Manuel Braga, a poucos metros do rio Mondego, o novo equipamento cultural abre portas como Biblioteca Carlos Fiolhais, reunindo um vasto acervo doado pelo físico, professor catedrático e ensaísta.

O edifício industrial, outrora destinado à captação de água, foi transformado num espaço contemporâneo, equipado com recursos multimédia, acesso à internet e áreas pensadas para criação de conteúdos, como podcasts. Um símbolo claro da reconversão da memória técnica da cidade num lugar vivo de cultura e conhecimento.

Na inauguração, Carlos Fiolhais sublinhou o carácter inclusivo da biblioteca, pensada como uma casa aberta a todos, sem distinções de idade, origem ou condição social. Os livros, frisou, não estão ali apenas para serem consultados em silêncio: podem ser levados para o parque, lidos à beira-rio, na Baixa ou onde a curiosidade chamar.

A biblioteca nasce com cerca de cinco mil volumes disponíveis, retirados de um espólio muito mais vasto, cerca de 40 mil itens, que inclui livros, revistas e outros materiais, a serem disponibilizados de forma gradual. A selecção inicial privilegia obras ligadas a Coimbra e à região, temas como água e clima, em diálogo com a história do edifício, bem como livros sobre livros e títulos da autoria do próprio doador.

A Biblioteca Carlos Fiolhais quer afirmar-se como ponto de encontro cultural da cidade. Está pensada para acolher debates, teatro, pequenos concertos e outras iniciativas artísticas, funcionando como um pólo da Biblioteca Municipal, com a mais-valia de se situar no coração de um dos parques mais emblemáticos de Coimbra. Está igualmente prevista, no futuro, a instalação de um serviço de cafetaria.

A adaptação do edifício, propriedade da Águas de Coimbra, representou um investimento a rondar os 100 mil euros. Para a presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, a doação do espólio traduz uma ideia fundamental: o conhecimento não é um privilégio, mas um bem comum. A autarca agradeceu o gesto, que descreveu como o resultado de uma vida inteira dedicada à leitura, ao trabalho intelectual e ao inconformismo criativo, e reconheceu também o trabalho do anterior executivo municipal na concretização do projecto.

“Se antes este edifício elevava água, hoje eleva conhecimento e cultura”, resumiu.

Também o presidente do conselho de administração da Águas de Coimbra, Alfeu Sá Marques, destacou a nova vida da antiga Estação Elevatória, agora convertida num espaço de ciência, cidadania e civismo.

O equipamento já começou a acolher actividades culturais e tem previstas, para o primeiro trimestre de 2026, várias iniciativas, entre as quais rodas de conversa, uma apresentação de livro e a inauguração da exposição Poetas no Parque, dedicada a nomes maiores da literatura portuguesa como Antero de Quental, Camilo Pessanha, Florbela Espanca, Miguel Torga e Fernando Assis Pacheco.

O acesso à biblioteca é gratuito, reforçando a ambição de fazer deste novo espaço junto ao Mondego uma verdadeira casa aberta do saber em Coimbra.