“O grande desafio é, em cada dia, voltar a olhar tudo pela primeira vez. Deslumbrar-se com a surpresa dos dias” diz José Tolentino Mendonça, é talvez uma boa definição de inovação. Porque inovar não é apenas criar algo novo, mas aprender a ver o que já existe com olhos renovados. É um exercício de espanto, de inquietação e de coragem perante o mundo que muda constantemente.
Nas empresas e nas organizações, a inovação deixou de ser um luxo ou um departamento. É, hoje, a própria forma de respirar. Estar preparado para a mudança é mais do que uma estratégia, é uma questão de sobrevivência. Num tempo em que os ciclos se encurtam e a previsibilidade se dissolve, o verdadeiro valor está na capacidade de reavaliar constantemente, de reconhecer oportunidades e de transformar fragilidades em impulsos. Corrigir desempenhos mais fracos não é sinal de fracasso, mas de maturidade e de visão.
A frescura de novos profissionais é uma força vital neste processo. São eles que trazem novas linguagens, novas perguntas e, sobretudo, a coragem de não se conformarem. A inovação nasce muitas vezes desse encontro entre a experiência e a irreverência, entre o saber acumulado e o olhar inaugural de quem chega. Por isso, investir em pessoas, em conhecimento e em convivência é investir no futuro. Nenhuma tecnologia substitui o brilho das ideias partilhadas nem o poder de uma equipa que aprende junta.
O ensino superior tem aqui uma missão essencial ser o verdadeiro catalisador da inovação. A aprendizagem torna-se mais viva quando o mundo é a sala de aula e quando a academia dialoga com quem faz, cria e arrisca. As sinergias entre contextos académicos e não académicos são o terreno fértil onde a inovação floresce. Hoje, são muitos os projetos e ações que traduzem este novo modo de pensar o ensino superior. Programas de incubação de ideias, laboratórios colaborativos entre universidades e empresas, estágios em contextos reais, mentorias intergeracionais e desafios de inovação social mostram que aprender pode, e deve, acontecer em múltiplos cenários. As instituições de ensino superior estão a abrir-se à sociedade, promovendo hackathons, residências criativas, clubes de empreendedorismo e redes de investigação aplicada. Estes espaços de experimentação e diálogo tornam-se autênticos ecossistemas de aprendizagem contínua, onde estudantes, docentes e comunidades se encontram para criar soluções com impacto real.
Porque inovar é, no fundo, renovar-se, é mudar para continuar a ser, é adaptar-se sem perder a essência, transformando cada desafio numa nova possibilidade de recomeço.
(*) Presidente da Coimbra Business School – ISCAC