A investigadora da Universidade de Coimbra (UC) Eugénia Carvalho está a desenvolver na Guiné-Bissau um trabalho de investigação para criar estruturas de prevenção e literacia sobre a diabetes no país.
Actualmente, a cientista colabora no desenvolvimento de um rastreio de gestantes, para auxiliar na diminuição da mortalidade materno-infantil e no mapeamento nacional da desnutrição, revelou a UC, no Dia Mundial da Diabetes.
A instituição de ensino superior explicou que o trabalho de investigação na Guiné-Bissau começou em 2020, quando a investigadora iniciou um projecto que pretendia estudar naquele país o efeito protector da vacina da BCG na diabetes, a partir do primeiro grande rastreio nacional da doença.
Durante este trabalho, “a cientista começou a identificar uma necessidade de acção regular para a prevenção e a literacia sobre a doença”.
Eugénia Carvalho disse que “as pessoas não sabem o que é a diabetes e pensam que é uma doença infecciosa, transmissível”, acrescentando que os utentes não conseguem administrar os tratamentos de forma autónoma.
“Estamos a chegar a muitos milhares de pessoas e, para muitas delas, foi no primeiro rastreio nacional que pela primeira vez ouviram falar da doença”, contextualizou a responsável, que lidera o Grupo de Investigação de Obesidade, Diabetes e Complicações no Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC.
O projecto, desenvolvido em colaboração com várias entidades, permite antever que cientistas e médicos precisam de actuar de forma transversal nas áreas de saúde, nutrição, educação e sensibilização para prosseguir o combate à doença.
“Actualmente, os organismos a actuar na Guiné-Bissau têm como foco central doenças infecciosas. Assim, a atenção dada a doenças crónicas não-transmissíveis é menor, como acontece com a diabetes e a hipertensão, as quais crescem de forma exponencial”, alertou.
O objectivo do trabalho desenvolvido por Eugénia Carvalho, em conjunto com investigadores da Guiné-Bissau e diversas entidades, centra-se em divulgar à população do país a problemática de doenças crónicas não transmissíveis.
As prioridades estão em sensibilizar e fomentar o conhecimento da população e promover um novo rastreio, agora para gestantes.
“Rastrear 3,5 a cinco mil mulheres para diminuir a mortalidade materno-infantil é um dos próximos objectivos, tendo já sido rastreadas 500 gestantes”, avançou a investigadora.
Já na literacia em saúde, Eugénia Carvalho destacou que “a literacia da população, essencial na gestão da doença, é uma das tarefas mais complexas por cumprir”.
A questão tem sido trabalhada “promovendo a difusão de bandas desenhadas em português e crioulo, em colaboração com o artista local Manuel Júlio, e de ‘spots’ informativos nas rádios comunitárias, nas línguas locais”.
Outras das prioridades incluem e a formação de profissionais e o mapeamento nacional da desnutrição.