Glória aos vencedores, honra aos vencidos, é uma máxima que “evoca a ideia da Grécia ou Roma antigas, onde tanto a vitória quanto a coragem e dignidade dos derrotados eram valorizadas, e ganhou notoriedade na França napoleónica”, e “atribuída ao autor do hino da banda Nação Benfica”, segundo a IA.
Infelizmente, há quem não demonstre o chamado “fair-play” que, tal como se aplica no desporto, também deve ser apanágio da vida em sociedade, em que participar é valorizado, e os remoques, as desculpas, as “arcas encouradas”, a “dor de cotovelo” não têm lugar, pois representam apenas a frustração e a falta de competência ou pelo menos de reconhecimento daqueles que têm poder da decisão, expresso pelo voto ou pela prestação profissional.
Quando se encerra um ciclo, novos tempos vêm que serão avaliados em sede própria em ocasião temporal, após o desempenho da função, pelo que há que passar à frente, manter o exercício da democracia e da cidadania, e não procurar encontrar desculpas “de mau pagador” que minimizam o ego ferido, mas não são solução para quaisquer problemas.
Há ilações a retirar de resultados eleitorais, pelo que os que não obtiveram a correspondência no sucesso desaparecido, deverão dar lugar a outros, que poderão fazer melhor trabalho, disponibilidade e vocação, tendo o direito e o dever de apresentar candidaturas a órgãos decisores da política interna das forças políticas, desde que tenham uma equipa sólida, sem mancha na reputação nem motivo de censura.
Em Coimbra, a Concelhia do PSD demitiu-se depois do fracasso que só não via quem não queria, e como partido estrutural da sociedade e poder decisório, encontrará novos protagonistas que regressarão à matriz social-democrata (há muito desaparecida do partido, que se posiciona à direita, próximo do Chega infestado de gente pouco recomendável), ou manterão o padrão da direita que aceita a hierarquia social e a desigualdade social como inevitáveis e que não foi característica dos seus fundadores (que defendiam o socialismo democrático).
O PS, vencedor em Coimbra, liderado por uma independente e em coligação progressista e pelo Desenvolvimento Sustentável, da qual se autoexcluiu o BE (arrogante) e o PCP (ortodoxo), deverá ainda assim promover reflexão interna e quiçá mudança de protagonistas, dada a hesitação, a contradição e o compadrio no processo de construção e na constituição das listas dos candidatos aos órgãos municipais, sob pena de criar dificuldades aos qualificados mandatários e vencedores na autarquia.
A nível distrital, foram desastrosos os resultados para o PS, com divisões internas que geraram exclusões, falta de senso político, incapacidade de gestão de conflitos e tentativa de promover favoritismo e mesmo nepotismo, criando a ideia de vitória em vitória até à derrota final. A política é feita por pessoas, e a muitas pessoas falta-lhe humildade (e às vezes emprego) para saberem retirar-se com dignidade e não serem empurrados para o “caixote do lixo” da história.
Resultado “satisfatório”? O PS perdeu 5 Câmaras no distrito de Coimbra, a ANMP, a ANAFRE, a CIM RC, e não assume consequências políticas?
Na política nacional, com um mau Orçamento 2026, que reduz para 10% o IRS para senhorios que põem rendas a 2.300€, que isenta ou aplica a taxa mínima de IMT de 8% a casas de 330.000€, que não aumenta o Rendimento Mínimo de Inserção, que reduziu a retenção na fonte, simulando um aumento de salários, o que provoca pagar IRS em 2026 em vez de o receber, como é possível o PS abster-se?
(*) Médico